Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 28/08/2019

Anne With an E é uma série canadense que retrata a história de uma menina órfã adotada por engano no lugar de um menino, e por isso, não é bem recebida em sua nova família. No entanto, apesar de se tratar de uma ficção, muitos impasses acontecem durante o processo de adoção no Brasil, desde lentidão burocrática a preconceitos envolvendo os pais adotivos e as crianças. Dessa forma, mudanças são necessárias a fim de melhorar esse cenário atual.

De início, vale ressaltar que a burocratização no processo de adoção torna mais difícil sua efetivação. Além da discriminação contra pais adotivos por serem negros, deficientes, homoafetivos, mães ou pais solteiros, as crianças e adolescentes também sofrem com a demora da Justiça para autorizá-los a serem colocados para a adoção, o que aumenta os índices de crianças em abrigos, que segundo dados da Associação de Magistrados Brasileiros (AMB), são cerca de 70 mil em espera. Por isso, muitas crianças atingem a maioridade nos próprios abrigos, sem passar pelo processo de adoção.

Ademais, é importante salientar que a busca de pais adotivos por estereótipos de filhos aumenta os níveis de rejeição de crianças à espera de adoção em orfanatos. De acordo com o site de notícias Correio Braziliense, o número de pessoas que desejam adotar é doze vezes maior do que o número de crianças em adoção, no entanto, muitos adotantes desistem do processo pois não encontram a criança desejada, que em geral, possui um perfil de idade inferior a 6 anos, cor branca, cabelo loiro, sem deficiências e sem irmãos. Logo, tal fator contribui cada vez mais para o aumento do preconceito e do número de jovens que completam os 18 anos em lares adotivos.

Portanto, mudanças são indispensáveis a fim de diminuir os impasses no processo de adoção no Brasil. De acordo com o piloto brasileiro de Fórmula 1, Ayrton Senna, se quisermos modificar algo, é pelas crianças que devemos começar, logo, é preciso que o Poder Legislativo crie leis de adoção que proíbam os pais adotivos de escolherem o perfil físico da criança adotada e desburocratize os processos de autorização de crianças aptas à adoção por meio de concessão de mais empregos e estágios supervisionados a universitários e pessoas com curso técnico na área judiciária, para que mais crianças tenham seus direitos garantidos. Com essas medidas, que não excluem outras, a história de Anne não estará mais presente na realidade brasileira.