Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 31/08/2019

Encontro afetivo

O pensamento de Carlos Drummond: “Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar”; propõe que a busca por semelhantes se sobrepõe as divergências em diferentes momentos da construção social. Assim, a enfraquecida adoção escancara seus esteriótipos e, ainda corrói a esperança de viver em família - um comportamento, incoerentemente, (oni) presente.

A priori, a adoção, por anos, agregou na concepção de famílias incapazes de gerar descendentes. Nesse sentido, desde que fora aplicada no Brasil mudanças significativas aconteceram na legislação, já que os critérios mostravam-se inalcançáveis e não surtiram efeitos na população. Por esse viés, com a principal alteração na idade dos adotantes - de 50 anos para 18 anos - recrudesce o número de interessados em adotar, simbolizando 33 mil pessoas para um total de 5,6 mil crianças ou adolescentes que aguardam por um lar, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça. Sob esse aspecto, a mídia no cadastro nacional constata cinco pretendentes para cada criança livre, no entanto, muitas passam a vida em abrigos, visto que a maioria não se encaixa nos desejos dos adotantes, que buscam por um filho (a) de até 1 ano de idade, saudável e branco.

Nessa ótica, devido às exigências impostas ao perfil não disponível, algumas famílias aguardam durante anos até que seus quesitos sejam atendidos, aumentando ainda mais a fila de adoção. Dessarte, pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, toda criança precisa conviver em uma família para se desenvolver saudavelmente. Entretanto, jovens que vivem em abrigos não desfrutam desse vínculo duradouro, à medida que adolescentes acima de 10 anos de idade passam por rejeições continuadas, pelo medo e insegurança que demonstram os adotantes, como traumas, vícios e dificuldade de adaptação, o que resulta na permanência em abrigos e sem expectativa de se unir a uma família. Por conseguinte, estes recortes devem ser extremamente combatidos por um Estado que se pretende ser eficaz em proporcionar condições saudáveis de vida a seus cidadãos.

Infere-se, pois, que a descabida adoção conclama políticas públicas ativas. Dessa forma, o Conselho Nacional de Adoção precisa estimular a adoção de crianças e jovens de todas as idades, por meio de eventos em bairros, com cartazes informativos, além de propagandas divulgadas na televisão aberta, a fim de incentivar o sentimento de empatia para com os jovens. E, o Ministério da Saúde, deve disponibilizar apoio psicológico com equipe multidisciplinar, que acolha os interessados em adotar, para que criem vínculos duradouros e resgate uma vida de esperanças.