Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 24/08/2019
No hino nacional, o Brasil é tratado como terra de amor e esperança, no entanto, a visão de Osório Duque-Estrada, afamado pela autoria do hino, é destoante da realidade brasileira na atual conjuntura. Hoje, nota-se a idealização adotiva como adversidade que assola o país e promove a ruptura de ilusões perante seu impávido colosso exclamado. Dessa forma, torna-se fulcral analisar o conceito metafísico familiar e os empecilhos tidos no processo de adoção.
Sob esse viés, é indispensável pautar a cotação do termo família como transcendente à afinidade sanguínea e alicerçada de subjetividade. Prova disso é a animação “LEGO Batman: O filme”, o qual preconiza a adoção do personagem Robin, de modo a retratar o âmago familiar como menção à inseparabilidade sentimental e tornar a afabilidade como pauta primária para a conduta do ser. Sendo assim, o afeto replica na cordialidade humana.
Ademais, o processo de adoção defronta-se com diversos entraves conjunturais, bem como a morosidade burocrática e a demanda restrita perante a escolha de crianças, uma vez que são procurados bebês brancos e sem deficiência, fração a qual denota uma parcela mínima de indivíduos e reflete raízes do preconceito. Prova disso é o poema “No meio do caminho”, Drummond, o qual preconiza uma analogia da rocha em detrimento a um obstáculo a ser cruzado. Sendo assim, a crença na cultura ética torna-se cada vez mais uma utopia hodierna.
Infere-se, portanto, a permutação da perspectiva presente diante de preceitos errôneos no processo adotivo. Assim, urge ao Estado, no tocante ao Ministério da Justiça, o reforço de leis que garantam a equidade a todas as variâncias familiares com o fito de promover uma população isenta das amarras apáticas. Além disso, cabe à Família, enquanto instituição social, transmitir valores morais através da promoção do diálogo, a fim de ocasionar a reverência humana. Dessa forma, é fundamental que o Brasil não permaneça deitado eternamente em berço esplêndido.