Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 30/08/2019
A obra Capitães da Areia, de Jorge Amado – escritor da segunda geração do modernismo, de 1930 à 1945 -, mostra a vida de um grupo de crianças e jovens que não tem uma família e que por isso vivem praticando atos de violência. De maneira análoga, no Brasil, diversos menores vivem sem o apoio familiar, por falta de uma organização no Governo e nas famílias não são integradas em novas famílias e que novas problemáticas são geradas por causa disso. Com isso, fica explícito que os principais entraves na execução desse processo são a burocracia na adoção e o pensamento cívico.
A priori, o processo de adoção no Brasil é moroso e muito burocrático e possíveis pais adotivos deixam de adotar as crianças por causa dessa burocracia exacerbada. Um exemplo claro desse trâmite é que para se adotar uma criança deve-se ter uma diferença de 16 anos entre os pais adotivos e a criança, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente. Isso faz com que casais jovens não possam adotar jovens, o que atrapalha mais ainda o procedimento de apadrinhamento da juventude. Tal processo deve ser menos burocrático, pois assim mais casais poderão integrar estas pessoas nas suas famílias, trazendo uma melhor qualidade de vida e formação desses menores.
Outrossim, a mentalidade dos cônjuges é um impasse determinante no desenvolvimento da perfilhação. Segundo dados do Conselho Nacional de Adoção, cerca de 1% dos pais querem adotar crianças com mais de 8 anos e cerca de 91% pretendem apadrinhar crianças brancas. Esse pensamento racista faz com que diversas crianças sejam abandonadas por não se encaixarem no perfil do casal. Esses pré-requisitos fazem com que menos crianças sejam adotadas e que a fila de adoção seja cada vez mais morosa e burocrática, com isso mais crianças atingiram a maioridade sem que haja um instrução adequada e tais jovens podem entrar no mundo do crime por causa da ausência de um ensino, por exemplo.
É evidente, portanto, que medidas concretas, eficientes e rápidas sejam tomadas para que o problema da adoção seja atenuado e que a realidade do livro Capitães da Areia seja somente uma ficção e não uma realidade brasileira. Para isso, o Governo Federal – cuja função é regrar e organizar a sociedade -, em parceria com o Congresso Nacional, deve promover campanhas publicitárias nas mídias, por intermédio de patrocínios de vídeos institucionais, para que os tais possam ser espalhados, mostrando a importância da adoção e que esses perfis de escolha são entraves na no desenvolvimento do processo. Desse modo, haverá uma conscientização da população, com isso pode haver uma mudança do pensamento popular racial de escolha dos brancos em detrimento das outras raças e assim mais crianças serão integradas em suas novas famílias, trazendo um desenvolvimento e instrução deles.