Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 29/08/2019
No século XVIII, o empenho dos setores revolucionários em promover a luta pelas liberdades do indivíduo, enquanto uma minoria abastada e dispendiosa desfrutava de privilégios culminou num movimento transformador singular. Na era pós-moderna, entretanto, milhares de jovens infantes têm seus direitos sociais violados, porquanto o tradicionalismo cultural retrógrado influencia os cidadãos a rejeitarem o ideal de adoção. Outrossim, a ânsia em adquirir crianças que se enquadrem nos padrões morfofisiológicos ditados pelos futuros pais impede que atores negros e adolescentes conquistem um lar.
Primeiramente, segundo o sociólogo Gilberto Freire, a nação brasileira foi fundada sob bases hierárquicas, patrimonialistas e preconceituosas. Desse modo, é notório perceber que ocorreu, historicamente, a criação de um ideário negativo sobre a adoção, tendo em vista que, desde a era colonial, a possibilidade de cuidar de crianças não pertencentes as famílias dos senhores de engenho era rechaçada pela sociedade. Como consequência disso, o repasse de continuísmos históricos arcaicos leva o indivíduo a não amparar os infantes, pelo bombardeio constante de piadas preconceituosas, combinado à rejeição inevitável do seio social, que considera como família aquela que compartilha traços puramente biológicos.
Em segundo exposto, sob a ótica durkheimniana, todo e qualquer indivíduo que não corresponde aos moldes ditados pela sociedade tende a ser excluído pelos seus componentes. Nesse âmbito, é evidente perceber a preferência imediata dos cidadãos em acolherem indivíduos, em sua maioria, de cor branca, idade entre 0 e 4 anos e que não manifestam algum tipo de deficiência. Dessa maneira, como Cora Coralina afirma, as crianças periféricas são rejeitadas por viverem em seu mundo submundo, e não tendo uma oportunidade de inclusão familiar recorrem a criminalidade como fuga da exclusão.
Destarte, no intuito de desconstruir estereótipos referentes à adoção, urge que a Escola – por meio dos educadores – favoreça a criação de seminários periódicos destinados ao seio coletivo em que sociólogos e psicólogos dissertarão, mediante conteúdo multimídia, sobre a importância do apadrinhamento e suas implicações na vida do infante e do seio grupal. Por fim, para que ocorra uma maior isonomia no processo adotivo, as mídias – no papel das novelas – devem incorporar, nos horários de maior audiência, histórias verídicas sobre os desafios, bem como as lutas diárias dos atores que são rejeitados, em que esses falarão sobre a sua realidade, a fim de tornar a adoção uma ação solidária, justa e diversa.