Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 27/08/2019
A adoção de crianças e adolescentes é um ato de criação de vinculo afetivo eterno, trata-se de um comprometimento com outra vida. Devido a complexidade deste assunto, os impasses para que um individuo ganhe um lar são muitos, os principais são o tempo do processo burocrático na justiça e o perfil buscado pelos pretendentes não bater com as crianças que já se encontram em abrigos a espera de uma família.
De acordo com dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) o número de crianças a espera de um lar gira em torno de 5 mil e o de interessados em 40 mil, esse contraste se da por conta dos pretendentes terem a preferência por crianças de no máximo 3 anos de idade, branca e sem irmãos, o que difere totalmente daquelas que se encontram em abrigos, que na sua maioria tem mais de 5 anos, são pardas ou negras e tem irmãos. A divergência desses padrões aumenta o número da fila de espera e consequentemente, diminui as chances desses jovens e crianças crescerem em um núcleo familiar.
Ademais o processo na justiça sobre adoção demanda muitas etapas, a Vara de Infância e Juventude, que cuida desse sistema no Brasil, costuma ser lenta, visto que entre encaminhamentos de documentos necessários, visitas de assistentes sociais, psicólogos e ate mesmo o curso preparatório para receber a criança ou o jovem podem levar anos para ser concluído.
Vale salientar que infelizmente também ocorrem muitos casos de preconceito por parte do poder judiciário quando a adoção é por pessoas solteiras ou então casais homoafetivos, o que dificulta ainda mais o processo de adoção.
Dessarte, é necessário que medidas sejam tomadas para resolver esses impasses. O Ministério Público e Poder Judiciário com apoio do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) devem criar campanhas efetivas, dispostas em ambientes públicos e mídia, a fim de divulgar dados e propagandas com depoimentos, de crianças que se encontram a espera de ser adotadas e as que já tiveram sua vida mudada, e hoje pertencem a um núcleo familiar. Focando principalmente naquelas que não pertencem ao padrão procurado, para que se estimule na sociedade a empatia e rompimento de preconceitos.
Todavia é também importante que o Poder Judiciário capacite-se melhor com profissionais adequados e em maior número, para que o processo ocorra mais rapidamente e não se tenha dificuldades na adoção por casais não tradicionais. Solucionando esses problemas e diminuindo o número de crianças em abrigo construiremos uma sociedade cada vez mais solidária, e por fim dando oportunidade para todas crianças e jovens de serem acolhidas e receberem afeto eternamente.