Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 28/08/2019

“Não tive filhos e não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria “. Talvez, hoje Brás Cubas percebesse a sua acertada decisão em frente aos impasses de adoção no Brasil. Nessa perspectiva, é importante analisar os fatores que se torna tão retrógrado todo processo adotivo, seja: pelo fenótipo imposto pelos adotantes ou pela burocracia preconceituosa das leis.

Desse modo, o desafio mais acentuado se dá pela exigência dos adotantes por certo tipo de esteriótipos: crianças brancas, até 4 anos de idade, sem irmãos e boas de saúde. Porém, isso é de difícil acesso de acordo com os requisitos exigidos, já que, a maioria dos órfãos, geralmente, vem de uma população mais pobre, negligenciados muitas vezes, pela falta de estruturação em manter o filho saudável, ou por doenças seja ela genéticas ou não. Ademais, o processo de adoção não é fácil, mesmo que se torne mais visível na atualidade, ainda existem tabus a serem quebrados, como: a de casais homoafetivos, que sofrem todo tipo de preconceito e dificuldades perante a lei. Onde, até pouco tempo, apenas casais heterossexuais com união estável, poderiam adotar crianças.

Segundo Aristóteles, “ O homem é um ser social “. Sobretudo, a integração de crianças órfãs, em um lar que priorize o amor e não uma característica, é essencial para um país em desenvolvimento. Nesse caso, podemos citar a história de Bruno Gagliasso e Giovanna Ekberg, que durante uma viagem a trabalho na África conhecem a menina “Titi” e a adota depois de um longo e demorado processo.

Destarte, cabe ao poder legislativo, a criação de leis que determinem o tempo de duração de todo o procedimento, e ainda, a implantação de visitas domiciliar de assistentes sociais, que por meio de perguntas, fiscalizem como a criança está sendo acolhida e tratada. Só assim, irá ocorrer a inclusão que Aristóteles desejava.