Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 02/09/2019

Amor Idealizado

Na constituição de 1998 a adoção é considerada uma medida protetiva aos interesses e ao bem-estar da criança. Entretanto, há muitos desejos e exigências de adultos dispostos a adotar, além da importância dos laços familiares no abrigo não sejam interrompidos.

Em primeiro plano, é válido destacar que os futuros pais almejam características físicas e etárias dos filhos adotivos, que não correspondem à realidade dos centros de amparo. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, para cada criança pronta para adoção há seis pessoas dispostas a acolhê-las, mas a diferença entre o perfil idealizado e o mundo real é um obstáculo à redução da enorme fila de espera. Isso é decorrente da maioria serem adolescentes, que não são o desejo de grande parte dos dispostos a adotar.

De outra parte, é importante salientar que há predomínio nos abrigos de jovens com irmãos, tornando-se essencial unir ambos no processo adotivo. Porém, de acordo com o Cadastro Nacional de Adoção, 65% dos cadastrados têm irmãos, e apenas 9% dos pais adotivos aceitam admitir a criança com o irmão. Além disso, caso apenas um dos irmãos seja adotado, no processo de ambientação com a nova família a probabilidade da criança rejeitar é grande, pois não aceita permanecer sem seu familiar.

Logo, cabe à mídia televisiva aprimorar a criação de personagens que sofram com a dificuldade de conseguir uma família, por meio da ficção engajada. Dessa forma, aumentará o debate sobre adoção no Brasil em toda cadeia nacional, a fim de mitigar os índices de crianças sem moradia e família. Assim o amor deixará de ser idealizado pelos futuros pais, tornando-se genuíno para si e à sua nova família.