Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 29/08/2019

A cidadania - segundo Rousseau - pode ser compreendida como o próprio direito à vida. Assim, esse direito acaba por integrar diversos elementos fundamentais para o convívio social que precisam ser construídos coletivamente para que possa ser possível garantir a dignidade e isonomia de direitos. No entanto, tornou-se comum - no Brasil - que alguns jovens, moradores de lares adotivos, apesar de possuírem legalmente a cidadania, sejam negligenciados. Dessa forma, isso ocorre, essencialmente, devido à falta de atenção do Estado à questão e às ações vindas da própria população.

A priori, um obstáculo a ser enfrentado por essa nova geração juvenil, é a negligência estatal, uma vez que nem sempre o Governo garante o direito a convivência comunitária e familiar, que é a principal função dos centros de adoção. Impende, pois, extrema urgência para a garantia dessas fundamentalidades, para que, dessa maneira, possa ser executável a integração desses desfavorecidos no corpo social. Outrossim, caso isso não ocorra, os índices de criminalidade tenderão a aumentar, dado que a inclusão é inversamente proporcional à marginalização. Percebe-se, então, que um exemplo disso é o filme “De repente uma família”, que retrata um casal que toma uma atitude pouco provável e adota três irmãos, dado que somente 34,11% dos brasileiros estariam dispostos à isso - de acordo com o Cadastro Nacional de Adoção -, e fez de tudo para priorizar as necessidades desses.

Por conseguinte, outro desafio é a mentalidade retrógrada de parte da população, que não trata esses adotivos como parte da sociedade e isola-os constantemente. Ademais, tornou-se comum que esse preconceito fosse além de somente aos desamparados e alcançasse também os pais que procuram adotar e conceber um ambiente saudável e acolhedor às crianças. Não obstante, torna-se viável uma conexão com o ideal de mudança social de Paulo Freire, que tinha como base essa transformação pelo meio educacional, visando uma comunidade mais igualitária, dispersando os preceitos criados e concebendo um novo meio de vida que possa integrar todos os cidadãos.

Evidenciam-se, portanto, significativas dificuldades no processo de adoção no Brasil. Logo, a fim de garantir a segurança do cidadão comum, o Ministério da Educação deve criar projetos educacionais nas escolas, os quais devem promover palestras e atividades lúdicas por meio da orientação de ONGs que tenham experiência comprovada no cenário específico de conscientização e integração populacional, além de transformar, assim, não somente a comunidade escolar, mas também a sociedade no geral. Destarte, será possível alcançar a idealização do filósofo brasileiro e alcançar uma cidadania legítima e plural.