Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 31/08/2019
No filme “Um sonho impossível” é retratada uma história real de um jovem afrodescendente, filho de uma mãe viciada que não tinha onde morar. O jovem Michael Oher passava por diversas dificuldades quando fora adotado e levado para um ambiente que pudesse se desenvolver socialmente e intelectualmente, se tornando hoje um dos maiores astros do futebol americano. De modo análogo, existem no Brasil diversos Michael’s que carecem de um seio familiar, do amor de uma mãe ou de alguém a quem pedir ajuda. Essa realidade pouco notada pela sociedade traz sérios problemas para o futuro desses jovens e adolescentes, sendo essencial discutir sobre o cenário da adoção no Brasil.
Analisa-se, de início, que os fatores primordiais para a manutenção e impasses no processo de adoção residem na falta de consciência populacional da urgência da adoção diante as condições das crianças e também na falta de incentivo midiático. É notório que a maioria dos adotantes preferem adotar crianças recém-nascidas ou entre os seus primeiros anos de vida, tal situação descaracteriza o verdadeiro significado da palavra adoção, pois tal ato está ligado a promoção de bem-estar e reequilíbrio do adotado à sociedade, essa situação acaba gerando uma sociedade que “exclui” possibilidades de adoção para crianças e adolescentes mais velhos. Prova disso é que segundo o Cadastro Nacional de Adoção, 88% das crianças prontas à adoção têm mais de oito anos e somente 4,5% dos pais pretendentes as aceitam.
Pontua-se, ainda, que a falta de iniciativas das mídias comunicativas acaba por gerar uma apatia social diante de tal situação. São poucas campanhas ou programas televisivos que colocam em pauta o ato de adoção, refletindo, dessa forma, o descaso com jovens que passam suas vidas em abrigos sem nenhuma perspectiva de vida. E por causa desse descuido midiático com o assunto da adoção, muitos casais que pretendem adotar não conhecem as dificuldades enfrentadas por aqueles adolescentes e jovens mais velhos que buscam um lar, constituindo, dessa maneira, uma sociedade desigual.
Compreende-se, portanto que ações devem ser feitas em prol de uma verdadeira adoção e bem-estar de crianças e jovens. Assim, urge que o Ministério da Educação, que tem por função zelar pela identidade educacional, coloque em pautas de escolas e universidades programas que gerem acolhimento de órfãos, utilizando-se de “apadrinhamentos afetivos” por parte dos alunos, para que possam dar visibilidade as condições enfrentadas por eles, e gerar um sentimento de responsabilidade diante de tal criança ou jovem. Outro fator coadjuvante é que os meios comunicativos ofertem em suas grades, mais debates e discussões sobre a adoção, evidenciando histórias e depoimentos daqueles que ainda buscam um lar.Dessa maneira,o filme de Michael será também a história de vitória de outros.