Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 03/09/2019
No seriado norte-americano “Grey’s Anatomy”, em algumas das suas temporadas, é retratada a tentativa do casal protagonista composto por Meredith e Derek de adotarem uma criança negra de origem norte- africana. Contudo, apesar da longa jornada de trabalho do casal, o processo de adoção ocorreu fugazmente e a criança Zola logo obteve um lar. Dissonante do universo cinematográfico, o panorama nacional vigente caminha para uma perspectiva mais desanimadora quanto a questão da adoção, pois a preferência dos adotantes constitui uma série de exigências que destoam da realidade entre os adotandos, tornando o feito um desafio árduo.
Primeiramente, é válido pontuar que o processo de adoção no Brasil diferentemente do que é apregoado, não se trata de uma atividade burocrática, visto que ele consiste na apresentação de uma série de documentos que são inerentes aos cidadãos de maioridade. Entretanto, o maior percalço está na quarta fase do processo em que os interessados por adotar narra o perfil do adotando idealizado, priorizando crianças com no máximo três anos,meninas, brancas, sem doenças e sem irmãos. Esse padrão se contrapõe com o quadro de pessoas disponíveis que anseiam por um lar, porque na sua composição tem-se majoritariamente meninos, não brancos, adolescentes e com irmãos, tal interferência fomenta a existência de um fluxo moroso. Diante disso, é notório que há um agravamento da disparidade de um panorama formado por menos de oito mil adotandos e mais de trinta mil pessoas em fila de espera, segundo dados divulgado em 2016 pelo Conselho Nacional da Adoção.
É imprescindível, também, ressaltar que a segunda fase do processo adotivo é baseado na assiduidade de um período de dois meses dos adotantes, período esse que não se faz tão efetivo para a preparação dos mesmo no acolhimento e na desconstrução do perfil idealizado. Ademais, a negligência do Poder Público em disponibilizar recursos para a manutenção de programas sociais, refletem na qualidade de vida das crianças e adolescentes que vivem em lares adotivos, pois conforme uma pesquisa divulgada pelo site G1 em 2018 foi relatado que cerca de 80% das creches já passaram por dificuldades que comprometam o atendimento a necessidade básica das crianças e .adolescentes.
Dessarte, para que atenue os imbróglios e a disparidade na relação de adotantes e adotandos no Brasil, urge que a haja maior atuação da Esfera Federal que possam fomentar programas de incentivos como redução em fila de espera para pessoas que desejarem adotar crianças com irmãos, mais velhas e com necessidades especiais, além de um melhor direcionamento dos recursos para suprir todas questões básicas dos lares adotivos. Também é fundamental, um acompanhamento mais efetivo para que ocorra a melhor habituação das crianças e dos responsáveis nesse novo processo.