Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 03/09/2019

Embora a quantidade de brasileiros dispostos a adotar seja superior à quantidade de crianças para adoção, de acordo com o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), 60% dos possíveis pais adotivos procuram um perfil muito específico de crianças adotivas: as que não tem irmãos. Mas, conforme o CNA, essas constituem a menor parte dos indivíduos disponíveis para esse processo no Brasil. Essa exigência se deve a fatores socioeconômicos e gera consequências negativas para a sociedade da nação verde-amarela.

A priori, deve-se levar em consideração o fato de que em meio a uma sociedade fortemente incentivada pelo capitalismo, o tempo da população economicamente ativa é tomado pelo trabalho e estudo. Isso se deve à uma constante tentativa de se manter qualificado no mercado de trabalho atual - conforme a teoria da “Sociedade do Desempenho” do filósofo coreano Byung-Chul Han. Então, é evidente que embora seja de vital importância, o tempo é um fator escasso para aqueles que desejam adotar. Além disso, é importante destacar que a criação de mais de um filho desencadeia um alto custo financeiro, que nem todas as famílias podem suportar, já que essas crianças terão que ser alimentadas, vestidas, transportadas e educadas.

Por conseguinte, pode-se afirmar que o número de pessoas em situação de rua aumenta exponencialmente, já que após completarem 18 anos, os indivíduos previamente cadastrados para adoção devem deixar o abrigo e viver por conta própria. Tal fato pode aumentar os índices da criminalidade, pois essas pessoas desqualificadas para a inserção no mercado de trabalho irão procurar fontes alternativas de renda, que podem ser ilegais.

Portanto, para diminuir o índice de brasileiros que vivem em abrigos públicos, o Estatuto da Criança e do Adolescente deve incentivar o processo de adoção de irmãos, por meio de palestras obrigatórias que demonstrem os benefícios desse tipo de adoção para as crianças, para a família adotiva e para a sociedade como um todo.