Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 02/09/2019
A criação de um vínculo afetivo tem sido no Brasil, um dos principais desafios impostos à adolescentes acolhidos em lares de adoção, visto que são sustentados por práticas que vão de encontro aos preceitos éticos, morais e constitucionais estabelecidos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Conquanto, impasses no processo de adoção impossibilitam que essa parcela dos que estão a espera de uma família desfrute dos seus direitos na prática. Incita-se, dessa forma, maior empenho do Poder Público e das instituições formadoras de opinião.
Em primeiro lugar, cabe pontuar que atualmente orfanatos no Brasil são frequentados por muitos jovens na faixa etária próxima a maioridade. Embora tenham um lar temporário, após serem dispensados do mesmo ao ingressarem a fase adulta, de fato tornam-se obrigados a criarem independência prematura sem apoio familiar, por consequência de disfunções familiares sofridas no passado e aguardo de um vínculo emocional estereotipado pela maioria dos casais em busca de crianças menores que cinco anos. Prova disso é o descompasso histórico de acordo com o Cadastro Nacional de Adoção, que 65,89% dos brasileiros interessados em adotar, optam por crianças sem irmãos.
Faz-se mister, ainda salientar as dificuldades da maioria dos jovens que deixam o orfanato, sem estrutura familiar e, educação básica precária, a encontrar um emprego de longa duração. De acordo com o Sociólogo Émile Durkheim, o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são suas origens e as condições de que depende.
Depreende-se, pois, que medidas que atenuam o impasse são necessárias. Desse modo, é imperiosa uma ação de qualificação trabalhística voluntária instituída por uma Organização Não Governamental (ONG) profissionalizante que deve por meio, direcionar jovens sem estrutura familiar ao mercado de trabalho.