Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 03/09/2019

A adoção de crianças e de adolescentes é um fenômeno conhecido internacionalmente e que consiste na filiação afetiva defintiva de uma criança abandonada. Entretanto, apesar de muito relevante socialmente, essa prática apresenta alguns impasses que impedem sua efetivação plena na sociedade. Nesse sentido, é possível afirmar que tanto a seletividade excessiva dos adotantes quanto a persistência de estereótipos negativos com crianças adotadas estão entre os principais impasses que dificultam o processo de adoção no Brasil.

A priori, é importante ressaltar que as famílias estão cada vez mais seletivas para adotar. Assim, de acordo com o Instituto de Pesquisa Datafolha, existem muito mais famílias querendo adotar do que crianças disponíveis para adoção, porém, os adotantes buscam um perfil muito específico de crianças, como baixa faixa etária e/ou se possuem ou não irmãos, por exemplo. Nessa perspectiva, as informações da realidade adotiva supracitadas demonstram como o grau de seletividade em excesso pode marginalizar crianças fora do perfil pretendido por muitas famílias e, consequentemente, cria um grande impasse no processo de adoção no país. Portanto, é perceptível que medidas precisam ser tomadas para reverter essa realidade adotiva no Brasil.

A posteriori, é relevante salientar que os estereótipos negativos ainda circundam o processo adotivo. Destarte, segundo o historiador Leandro Karnal, o Brasil sofre com a “carnalização dos preconceitos”, ou seja, alguns estereótipos negativos são naturalizados e persistem na sociedade contemporânea como algo comum. Nesse sentido, percebe-se que o processo descrito por Karnal acontece com as crianças adotadas na medida que persiste a ideia errada - por parte de alguns cidadãos - de que para ser considerado filho precisa ter laços sanguíneos. Logo, é importante que políticas públicas sejam realizadas para minimizar esses estereótipos preconceituosos que criam impasses para o processo de adoção no Brasil.

Portanto, diante dos fatores negativos supracitados que impedem a efetividade do processo adotivo brasileiro, é imperativo que Organizações Não Governamentais (ONGs), em parceria com empresas de publicidade e propaganda, promovam esclarecimentos mais profundos sobre como funciona o processo adotivo e seus efeitos. Para isso, ocorrerão debates online com profissionais capacitados sobre o assunto, como assistentes sociais das ONGs e propagandas na TV e nas redes sociais incentivando as pessoas a adotarem com menos seletividade. Dessa maneira, medida promoverá a menor seletividade e preconceito com as crianças adotadas e, com efeito, promoverá um fluxo melhor do processo adotivo no país.