Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 05/09/2019

A animação Meu Malvado Favorito retrata os desafios e as mudanças na vida do vilão Gru ao adotar três crianças. No contexto brasileiro, fora da ficção, existem dificuldades nesse processo em virtude das preferências exigidas e da falta de empatia. Assim, faz-se necessária a reversão desse cenário.

É notório, de início, o preconceito em adotar adolescentes. Nesse âmbito, segundo o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), mais de 90% dos jovens disponíveis possuem mais de seis anos e apenas 10% dos pretendentes aceitam adotar alguém com esse perfil. Logo, a idealização das preferências não condiz com a realidade e contribuem para que o número de anos desses jovens nos abrigos aumentem. Tal situação pode resultar em dificuldades nas relações interpessoais durante a vida adulta.

Aliado a isso, a falta de sensibilidade e a possibilidade em “devolver” as crianças no estágio de convivência prejudicam o situação. Isso vai de encontro ao princípio da utilidade proposto pelo filósofo Jeremy Bentham, em que se deve priorizar as consequências de cada ação e promover a felicidade coletiva. Dessa maneira, em razão das dificuldades na relação com crianças e adolescentes já traumatizadas e que, por vezes, não confiam nos adultos essa ruptura pode aumentar o sentimento de rejeição.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de aprimorar o processo de adoção do país. Para que isso ocorra, cabe ao Ministério da Família por meio das emissoras de televisão a promoção de campanhas voltadas ao esclarecimento sobre a situação e os principais obstáculos com a participação de pessoas que aceitaram adotar crianças mais velhas. Em consequência, o processo adotivo no Brasil promoverá menos traumas e, de modo igual à animação, formará novas famílias.