Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 06/09/2019

Na obra literária brasileira “Capitães da areia”, inserido no contexto da Segunda Geração do Modernismo brasileiro, é exposta a dura vida de um grupo de jovens sem família, de modo a abordar questões como violência. De maneira análoga, fora da ficção, esse quadro de carência de um núcleo familiar é uma realidade para inúmeras crianças, o que exibe a problemática do sistema de adoção no Brasil hodierno. Com isso, fica claro o impasse, seja pela insuficiência estatal ou pela mentalidade cívica.

A priori, é importante pontuar, de inicio, que a grande maioria das pessoas que busca a oportunidade em adotar, procuram por crianças de até um ano de idade que representa somente 6% das crianças disponíveis para adoção. Nesse contexto, segundo pesquisas a faixa etária é um dos principais problemas onde 87% das crianças que estão em casa de adoção tem cinco anos ou mais, na qual acabam sendo rejeitadas por ser considerada crianças “velhas”. Dessa forma, o sistema acaba sendo sobrecarregado em uma única faixa etária e ao mesmo tempo criando um déficit em outra, ou seja, as pessoas depositam na adoção uma expectativa que não condiz com a realidade.

A posteriori, vale ressaltar a lógica populacional como notória impulsionadora do problema. Nesse ínterim, a influência dos esteriótipos sociais, como a preferência por crianças em baixa faixa etária, é manifestada, haja vista que, pelo caráter normativo de tais visões, os adotantes são induzidos a vê-los de forma positiva. Dessa forma, observa-se a atuação da teoria da tábula rasa de John Locke, que defende o imperativo do âmbito sob o cidadão nele inserido, porque, pela vivência, o indivíduo reproduz os elementos da estrutura vigente.

Compreende-se, portanto, a necessidade de medidas para contrariar a situação. Neste caso, cabe às prefeituras fomentarem a propagação da adoção e a quebra da repulsão contra os casais homoafetivos, por meio de propagandas nas mídias, como o rádio. Além disso, compete às associações comunitárias, aliadas às famílias, o combate aos esteriótipos sociais que presidem os adotantes, com o uso de projetos recreativos, como amostras fotográficas nos bairros, para desconstruir o posicionamento contemporâneo.