Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 05/09/2019

O filme “Ah, mas ele até tem os seus olhos!” é uma comédia francesa," Paul e Sali “aguardam ansiosos o desenvolvimento do seu processo de adoção. Quando os dois recebem a notícia de que serão pais do pequeno Benjamin, os dois ficam radiantes.Contudo,  é mostrando um empecilho pela própria família na aceitação   da criança ser branca, além do preconceito por ser negros.Fora da ficção, o cenário da adoção no Brasil é problemático, visto que a burocracia não é o principal problema enfrentado pelas famílias que querem adotar uma criança no país. A preferência por crianças brancas e com menos de um ano de idade acabam tornando o processo lento.Nesse contexto,devem-se analisar o motivo dessa perspectiva de idade, e o preconceito e o motivo  devolução das crianças já adotadas.

Primeiramente, desde a Constituição de 1988, a adoção no Brasil é vista como uma medida protetiva à criança e ao adolescente.Alem disso, a adoção é um processo que prioriza o bem-estar das crianças e dos adolescentes que estão em situação de adoção.Contudo, O Cadastro Nacional de Adoção (CNA) aponta que apenas 5% dos cerca de 43 mil candidatos a pai e mãe adotivos aceitam crianças de nove anos de idade ou mais. No entanto, é nesse grupo que estão mais de 60% das crianças aptas a serem adotadas em abrigos no Brasil.Nesse contexto, é nítido que as crianças em condições de serem adotadas não se encaixam no perfil preferido pelas famílias adotantes, deixa claro o preconceito crescente, o qual se estende desde a idade dos infantis à sua raça, o que acarreta no aumento do tempo de permanência.

É válido ressaltar, segundo a  psicanalista Maria Luiza Ghirardi estudou a fundo o comportamento de pais e mães que pretendem adotar para a sua tese de mestrado na USP. A pesquisa resultou no livro Devolução de crianças adotadas: um estudo psicanalítico, lançado em 2015. Para Ghirardi, a expectativa dos pais adotivos em relação às crianças foi um dos principais fatores para casos em que houve devolução. Logo, torna-se evidente que o grande problema é a escolha restringente a adoção da criança, visto que a maioria das crianças que está no abrigo para ser adotada já é mais velha.Desse modo, é nítido tais impasses relacionado adoção e a importância de diálogo antes  da adoção.

Portanto, cabe ao Governo em conjunto com o Ministério da Família  o dever de desenvolver um projeto com ajuda de médicos e psicólogos com intuito  de discutir e debater sobre  adoção para assim desconstruir os preconceitos existentes em relação ao perfil daqueles que serão adotados incentivando  uma adoção sem seletividade, mostrando aos pais adotivos a realidade das crianças nos orfanatos antes da adoção.Por fim, cabe ao Cadastro Nacional de Adoção desburocratizar o processo de adoção, de forma a torna-lo mais rápido e eficiente.