Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 16/09/2019

Segundo dados do cadastro nacional de adoção existe cerca de quase 5 mil crianças cadastradas para serem adotados no Brasil, em contra partida esse número é doze vezes maior de interessados em realizar adoções. Diante dos fatos nota-se a problemática no processo adotivo brasileiro, onde há um descompasso entre o perfil desejado e a realidade, e, também o preconceito quanto ao acolhimento de jovens com idade mais avançada.

Mais da metade dos brasileiros dispostos a adotar buscam um determinado perfil, o que dificulta ainda mais o processo que já é burocrático. Essa idealização acaba por excluir mais da metade das crianças que podem ser adotadas no país, isso porque 65,68% possuem irmãos, que é uma das características evitadas pelos futuros pais adotivos. Sendo assim, torna-se mais acentuada a dificuldade de ligação entre família e filhos adotivos pelo fatos dos pais não estarem abertos a procurar de forma mais ampla.

Entretanto, somado ao perfil idealizado, existe o preconceito com a adoção de adolescentes por diversos motivos, desde o vínculo que esse jovem possa ainda ter com sua família biológica, a maior dificuldade para lidar com um adolescente, o desejo de educar seu filho desde seus primeiros anos, entre outras justificativas, que servem como barreiras de senso comum distanciando a verdadeira motivação da adoção que é a construção de uma família baseada no amor e afeto.

Diante do exposto se faz necessário a conscientização dos solicitantes ao processo adotivo de que o vínculo de filiação pode ser tão forte com um adolescente quanto com uma criança, e os órgãos de proteção a criança e ao adolescente devem buscar diminuir as dificuldades no processo adotivo para que as famílias possam conhecer melhor e entender a importância do acolhimento sem distinção, olhando para um ser que necessita de afeto e convivência familiar saudável.