Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 11/09/2019
Racismo em forma de abandono.
O Conselho Nacional de Adoção-CNA- revelou que no Brasil existem mais de 9000 crianças para adoção e cerca de 38 mil pretendentes, as características que fazem essa conta não bater perpassam entre racismo estrutural,padronização de perfil dos adotantes,burocracia e preconceito com casais homoafetivos.Concomitante aos fatos, a existência do conceito social errôneo de que “para ser mãe é preciso parir” é outro obstáculo a transformar esse caminho num viés de amor.
Haja vista que o Brasil tem mais da metade da sua população negra, o racismo -preconceito racial- é um aspecto bastante presente no momento de escolher o adotado, como consequência deste fator, prepondera-se um padrão do pretendente que são as crianças menores de quatro anos,brancas e preferencialmente sem irmãos.O resultado disto, é o abandono e negligência com os menores que não estão dentro desses requisitos,aumentando o índice de depressão, e principalmente, aniquilando a esperança de encontrar um lar.Certamente, mudar esse panorama deve ser prioridade da população, para tal o primeiro passo deve ser por meio de apregoar amor e desmitificar a homogeneização.
Ademais, outro aspecto que se torna empecilho no momento da adoção é a exacerbada burocracia, embora funcionem como “medida protetiva “- visando analisar criteriosamente o solicitante- ela também configura uma dificuldade que pode desanimar os casais a finalização do processo.Outrossim, o conceito social de que não “filhos de verdade” ou que serão violentos e abandonarão os adotantes depois de crescidos,afasta a curiosidade daqueles que outrora pensaram nesta opção, o que demonstra mais uma vez a hostilidade dos cidadãos com essas crianças.Por outro lado,a Constituição ainda não é clara quanto aos casais homoafetivos,tornando mais um preconceito como dificultador do final feliz.
Portanto, é preciso que a mídia e o Conselho Nacional de Adoção somem forças para que por meio de propagandas e projetos -que visem debates e distribuição de informações-despertem a criticidade da população. Por fim, quebre os tabus com os diversos modelos de preconceito e construções sociais que só servem para atrapalhar a formação de uma nova família.