Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 20/09/2019

Ao escrever os versos “Sou do país do futuro, futuro em que não insiste em vir por aqui”, o compositor Toquinho expressou poeticamente o sentimento de desesperança em relação ao Brasil atual. De fato, os versos do compositor encontra-se em nítida conformidade à realidade brasileira, caracterizado pelo persistente problema da adoção no país, resultado tanto da seletividade dos pais, quanto da extrema burocracia para realização do processo. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados para que uma sociedade integrada seja alcançada.

Em primeira análise, é oportuno apontar que a seletividade dos futuros pais contribui para a perpetuação do problema. Quanto a essa questão, é válido destacar que a quantidade de pais interessados em adotar é muito maior do que a quantidade de crianças disponíveis. Contudo, as preferências das pessoas com relação a idade, quantidade de irmãos e até a cor das crianças e jovens dificulta o processo.

Ademais, o excesso de burocracia tem influência direta para a perpetuação da problemática. Quanto essa questão, é útil mencionar que segundo Oseias Faustino, “A burocracia é o reino do não fazer”. Com efeito, quando se observa a demora para concluir os processos de adoção no país, constata-se a validade do pensamento de Oseias.

Em síntese, não há dúvidas de que o problema  exige ações interventivas imediatas. Dessa maneira, com o objetivo de reverter esse quadro, o Estado, em parceria com a mídia, deve promover campanhas de incentivo à adoção sem preferências, por meio de canais de comunicação, como por exemplo, abordagem do tema em novelas e seriados. Além disso, o Estado deve simplificar os trâmites burocráticos do processo, com a intenção de atenuar o problema. Com tais medidas, será possível afastar o Brasil dos versos do compositor Toquinho.