Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 26/09/2019
Fenômeno relevante na sociedade brasileira atual, a adoção ganha o cenário nacional dado as dificuldades entorno de tal processo. No cenário em questão, exigências como restrição a idade e a cor de pele, por parte dos adotantes, urgem como principais mazelas que dificultam o processo. Dessa forma, políticas públicas com o objetivo de amenizar o fenômeno têm caráter emergencial.
Nesse quadro, a escolha por crianças em detrimento aos adolescentes é uma das dificuldades do processo adotivo. Isso ocorre uma vez que, a criança até os 7 anos de idade, de acordo com o conselho de psicologia nacional, tem sua personalidade moldada por meio de exemplos, sobretudo familiares. Esse fato é ilustrado, por sua vez, pela teoria da tábula rasa, exposta pelo filósofo Locke, a qual mostra que a criança é como uma tábula, uma folha em branco, e são suas experiências que formam, portanto, sua personalidade. Diante disso, os adotantes justificam a escolha das crianças como a necessidade de cria las com valores que acreditam serem corretos. Entretanto, tal opção deixa os jovens a mercê dos lares adotivos, esses indivíduos, por sua vez, quando completam 18 anos são excluídos do sistema e, sem qualquer assistência tornam se, em sua maioria, moradores de rua, situação que exige medidas de contenção.
Ademais, há ainda a opção pela cor de pele, mazela que restringe, potencialmente, o processo seletivo. Nesse contexto, dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que 62% dos adotantes escolhem o tom de pele da criança e, em maioria significativa, excluem as crianças negras. Essa análise é vista no livro de Gilberto Freyre, Casa grande- senzala de 1933, o qual faz uma crítica a inferiorização do negro na sociedade brasileira, recorrente na atualidade. Tal situação tem como consequência a exclusão social, na qual os jovens negros lidam com a privação de empregos, restrição de oportunidade e, portanto, dificuldade de ascensão social. Essas problemáticas levam os jovens, ao saírem do abrigo, a recorrer a situações como o tráfico e a violência para sobreviver, sendo urgente politicas que amenizem a situação.
Portanto, politicas públicas com o objetivo de amenizar esse fenômeno tem caráter emergencial. Para isso, o governo, órgão responsável por gerir o país, deve incentivar a prática da adoção. Isso deve ocorrer por meio de parceria com a indústria midiática, a qual deve produzir campanhas publicitárias, novelas e. sobretudo, documentários, que retratem as etapas da adoção, o processo e os benefícios a criança e ao adolescente decorrente dessa, como valores e estrutura familiar enfatizando a necessidade de adotar jovens maiores de 7 anos e negros. Essa medida com o objetivo de promover a adoção e reduzir, em massa, a discriminação entorno dos adotivos.