Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 27/09/2019

A série televisiva “The Fosters” relata a dificuldade encontrada por um casal homo afetivo, ao adotarem uma filha de 15 anos, que por possuir uma idade mais avançada, e haver um irmão mais novo, diversos conflitos são ocorridos. Fora da ficção, tais impasses, como o padrão idealizado pelas famílias para com as crianças, são presentes na contemporaneidade brasileira, dificultando assim, a inserção do acriançado no seu novo lar.

Inicialmente, um entrave nesse processo adotivo brasileiro é a preferência padronizada de crianças brancas, menores de quatro anos, e sozinhas, devido a facilidade de adaptação de ambas as partes. Entretanto, tal anseio, não condiz com a realidade, haja visto que, 65,68% dos indivíduos cadastrados, possuem irmãos, e apenas 34,11% das famílias aceitam essa particularidade, segundo o Cadastro Nacional de Adoção.

Além disso, o número de jovens entre 13 e 17 anos  disponíveis à adoção, se aproxima de 50% do total, como mostra a CNA. Infelizmente o índice de receptividade dos pretendentes não alcança a marca de 1%. Muitas vezes pelo medo de não conseguirem ajudar ou superar os possíveis traumas que esse adolescente traga consigo, consequência de um desamparo pós-adotivo, fazendo com que esses jovens se mantenham nos abrigos até os 18 anos -idade máxima- sem a esperança de um dia serem membros de uma família.

Portanto, urgem medidas a serem tomadas. Cabe á Secretaria Especial de Comunicação Especial a disponibilização de propagandas midiáticas apelativas, por meio de alianças com as redes sociais, que busquem promover a sensibilização da comunidade para as reais estatísticas dos abrigos nacionais, mostrando que apesar da idade, e das condições físicas, todos estão em busca de um lar repleto de amor. Juntamente com o Estatuto da Criança e do Adolescente, disponibilizando um acompanhamento efetivo de profissionais do ramo da psicologia para as famílias através de rotineiras visitas, garantindo ajuda nos processos de compreensão de traumas e adaptação para ambos. Dessa forma os interessados pela adoção se sentiriam mais amparados e motivados para realizar tal ato nobre, diminuindo os impasses atualmente existentes.