Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 30/09/2019

Relatórios do Cadastro Nacional de Adoção mostram que o número de pessoas que querem adotar é doze vezes maior que a quantidade de crianças disponíveis no Brasil. O país garante em lei esse processo, o qual visa proteger a criança ou adolescente, a fim de garantir seus direitos à convivência familiar e comunitária. Sob essa ótica, alguns entraves devem ser levantados para mitigar esses problemas, como a grande quantidade de irmãos que não encontram um lar e a discrepância nos números anteriormente citados.

Em primeiro lugar, a maior parte das crianças em abrigos estão com seus irmãos. Vale lembrar que o Brasil é um país com grande concentração de renda, fato que gera a maior parte da população com renda familiar baixa, consequentemente, muitas famílias que estão na fila de espera não possuem condições de ter mais de um filho adotivo. Nesse panorama, segundo o CNA cerca de 66% dos jovens à espera de uma família possuem irmãos.

Por conseguinte, é de se espantar a quantidade de pessoas que querem adotar comparada com a de crianças em abrigos. Ao fazer uma análise no caso, é possível identificar que o perfil das crianças desejadas é incompatível com o das presentes para adoção. Nesse universo, os que buscam adotar preferem crianças de pouca idade e sem relações com sua família de origem. Um casal de irmãos, então, geram dúvida e receio, dúvida da autonomia financeira da família, receio da má adaptação de dois jovens em um novo lar.

Mediante dos fatos expostos, é possível aferir impasses no processo de adoção brasileiro. É papel das escolas organizar palestras didáticas aos pais sobre o processo de adoção, com o intuito de aproximar a comunidade aos problemas ali presentes e assim. Por fim, é dever do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos criar programas de incentivo à adoção, com o intuito de diminuir o número de crianças com seus direitos privados, e assim possivelmente muitas crianças terão seu sonhado lar.