Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 03/10/2019
Consoante ao artigo publicado pelo jornal virtual O Globo, no Brasil existem mais de 47 mil crianças em orfanatos. Contudo, as exigências em relações às características físicas feitas pelos possíveis pais e a lentidão do processo jurídico se configuram como impasses à adoção desses pequenos cidadãos.
A priori, em sua obra “Casa Grande & Senzala”, o sociólogo brasileiro Gilberto Freyre defende a existência de um padrão social baseado no homem branco e jovem. Nessa perspectiva, é possível traçar um paralelo com a questão da adoção no Brasil, visto que grande parte dos interessados em adotar desejam crianças caucasianas entre 0 e 4 anos de idade. Dessa forma, as crianças negras e pardas entre 5 e 17 anos de idade, que, de acordo com a página cibernética CEERT, constituem 67% dos indivíduos à espera de uma família, enfrentam dificuldades em serem adotadas.
Outrossim, cabe analisar lentidão das ações judiciais como obstáculos à adoção no país. Devido à longa espera, que, segundo ao levantamento realizado pela plataforma digital G1, pode durar até 1 ano, muitas pessoas desistem do processo, uma vez que, durante o período de aguardo, as crianças ultrapassam a faixa etária que almejam. Como resultado, inúmeros indivíduos crescem em abrigos e atingem a maioridade sem terem sido adotados.
Torna-se evidente, portanto, que medidas que objetivem solucionar essa questão são necessárias. É primordial que o governo federal dinamize o sistema de adoção, para agilizar o processo, por meio da redução de burocracias que atrasem essa ação. Nessa versão dinamizada, que contará com uma plataforma digital, haverão relatos de crianças entre 5 e 17 anos de idade que pretenderão quebrar o estereótipo enraizado na sociedade e criar conexões afetivas com os futuros pais. Assim, aguarda-se a diminuição do número de crianças em orfanatos.