Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 02/10/2019
Nascida em Serra Leoa, no continente africano, a hoje bailarina mundialmente conhecida, Michaela DePrince, viveu por alguns anos em um orfanato até ser adotada aos 4. Infelizmente, a maioria das crianças que chegam aos orfanatos não têm o mesmo final feliz. No Brasil, há quase 50 mil crianças em centros de acolhimento, mas apenas 5 mil estão disponíveis para adoção. Além disso, somente 6% das crianças e adolescentes disponíveis atendem ao perfil procurado pelas famílias.
Em primeiro plano, pouco mais de 10% das crianças afastadas de suas famílias biológicas no brasil estão aptas para serem adotadas, de acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Isso ocorre porque, por lei, a preferência é que elas voltem para suas famílias, porém, essa lei não determina um prazo limite, impedindo muitos infantes de serem acolhidos por famílias mais funcionais e preparadas. Sendo assim, estes ficam em abrigos até os 18 anos, quando têm de ir embora e, não raro, acabam em situação de rua.
Além disso, a maioria das famílias que querem adotar, querem crianças menores de 4 anos, brancas, sem irmãos e também sem doenças. Esse perfil exclui a esmagadora maioria das crianças e adolescentes que precisam de uma família. Essa mentalidade precisa ser mudada pois, mesmo quando se tem um filho biológico, não há escolha de seus traços e sequer se virão um ou mais bebês. Consciente disso, Elaine DePrince adotou não só Michaela, que por ter vitiligo era tratada como amaldiçoada no orfanato, mas também sua melhor amiga, Mia, ambas negras.
Torna-se evidente, portanto, que para superar os impasses para a adoção no Brasil, é preciso aumentar a abertura das famílias a diferentes perfis de crianças e adolescentes. Por isso, o Juizado da Infância de cada localidade deve, ao ser procurado por famílias que desejam adotar, realizar uma forte campanha em prol da diversidade na adoção, com intermédio de psicólogas(os) e assistentes sociais, para que o máximo de crianças tenham o mesmo final de Michaela e Mia.