Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 04/10/2019
Chiquititas, novela transmitida pela emissora SBT, trouxe o debate sobre a questão da adoção- sobretudo de adolescentes- nota-se no programa a grande dificuldade de acolhimento dos jovens por futuros pais, que muitas vezes preferem crianças mais novas e sem irmãos. Fora do ambiente televisivo a realidade é ainda pior, inúmeros orfãos deixam os abrigos devido sua idade avançada e não obtém sua formação em um ambiente familiar. Isso não se evidencia apenas pela dificuldade relacionada a faixa etária, mas também pela lentidão burocrática do processo no Brasil.
Em uma primeira análise, sob a perspectiva sociológica, há uma grande busca por bebês nos lares adotivos, o que demonstra a busca pela criação de vínculo com a criança desde seus momentos iniciais. Nesse contexto, a maioria das pessoas não se disponibiliza para adotar adolescentes, fato esse que explica a grande diferença atual entre o número de orfãos e futuros parentes adotivos. Segundo pesquisas da Carta Capital, 95% dos pais não querem adotar crianças com mais de nove anos, o que realça o pensamento intrínseco à sociedade de valorização de recém nascidos. Sendo assim, os abrigos ficam sucateados de jovens obrigados a sair do local após atingir a maioridade sem ter possuído uma relação familiar, o que traz impactos em sua vida adulta.
Ademais, vale ainda ressaltar que a lentidão burocrática do processo adotivo no Brasil faz com que muitos responsáveis desistam do procedimento. Nesse panorama, a combinação da falta de servidores públicos nas Varas da infância e a falta de conhecimento necessária para adotar pelos pais destacam-se entre os motivos que causam essa reduzida velocidade. Além disso, esse impasse é ruim para a criança, uma vez que esta continua nos abrigos e não possui uma família própria, problema esse que vai contra os objetivos do ECA- Estatuto da criança e adolescente- o qual deveria lutar pelo bem estar do jovem. Dessa maneira, há a perpetuação do número de orfãos no país, que só tende a crescer.
Torna-se evidente, portanto, que os desafios para adoção no Brasil estão relacionados à questão etária e burocrática. Para reverter esse quadro, é preciso que o Governo - em parceria com o Poder Legislativo- faça a melhoria nas leis atuais, a fim de reduzir o longo tempo de espera. Através da contratação de novos funcionários da Vara da infância, por meio de concursos e novas leis que facilitem o acesso e melhorem o atendimento adotivo. Além disso, é preciso estimular a guarda de adolescentes, utlizando-se da compaixão humana ao se demonstrar para os candidatos à futuros pais a história de vida desses jovens. Dessa forma, espera-se que os atuais obstáculos do processo adotivo sejam superados e as crianças possam conviver em um ambiente amoroso e acolhedor.