Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 05/10/2019

No Brasil, o processo adotivo de jovens e crianças é sólido, cauteloso e visa o melhor destino para o adotado. Esse processo tem todo um acompanhamento legal e é apoiado pelas diretrizes estabelecidas pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Contudo, nem sempre ele consegue ser rápido e eficaz. Nesse sentido, no que tange à questão da adoção no país, percebe-se a configuração de diversos impasses, em virtude da má representação midiática e do individualismo das pessoas. Diante disso, é preciso conhecer os diversos estigmas desse problema, a fim de solucioná-lo.

Em uma primeira análise, a problemática é intrinsecamente fomentada pela representação ruim da mídia. Em meio a tantos programas e quadros televisivos que chegam ao espectador continuamente, a ausência de discussões e debates acerca da adoção de menores, juntamente com a falta de esclarecimentos, tendem a mistificar o assunto para os cidadãos. Nessa perspectiva, se - segundo Pierre Bourdieu - as visões sociais são determinadas por agentes, tais como a mídia, é evidente constatar que a omissão dela dá prosseguimento aos impasses no processo adotivo e, por conseguinte, fomenta diversas mazelas sociais, como o aumento da demanda por “barrigas de aluguel” e a busca por métodos afins, além do afastamento de possíveis interessados de realizarem a adoção.

Ademais, em um segundo plano, o individualismo das pessoas é um mecanismo intenso desses impasses. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos tempos líquidos, ou seja, uma época de artificialidade nas relações humanas que é caracterizada pelo individualismo. Assim, a falta de empatia e o preconceito do adotantes culminam em longas filas de espera por um tipo específico de indivíduo a ser adotado. Nesse sentido, pesquisa divulgada pelo Correio Braziliense demonstrou que mais de 50% deles preferem crianças sem irmãos, o que atesta o quão deturpada estão as escolhas, visto que o número de crianças com irmãos supera os 50% também. Dessa maneira, muitos jovens acabam em abrigos até os 18 anos e, sem opção,  ficam sem apoio familiar em sua vida adulta. Desse modo, o quadro do panorama líquido se configura como um importante desafio para solver o dilema.

Portanto, a má representação midiática e o individualismo dos sujeitos são importantes vetores da problemática. Destarte, faz-se mister que os meios midiáticos, em parceria com o Ministério da Educação, promova campanhas de incentivo à adoção e instrução do processo adotivo. Por meio de debates e rodas de discussões em programas televisivos, professores capacitados devem realizar a apresentação das diretrizes processuais e de como proceder para a realização da adoção de indivíduos no país, sendo possível, dessa forma, desmitificar o processo e atenuar os impasses a ele. Agindo assim, será possível que a adoção seja realizada de maneira rápida e eficaz no Brasil.