Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 13/10/2019

Funcionando conforma a primeira lei de Newton, a lei da inércia, a qual afirma que um corpo tende a permanecer em seu movimento até que uma força atue sobre ele mudando de percurso, os impasses da adoção no Brasil persistem há algum tempo. Nesse contexto, a adoção enfrenta um descompasso no perfil dos adotantes e adotados. Além disso, longos processos burocráticos e restrições quanto à sexualidade e estado civil dos indivíduos que desejam adotar, agravam o desenrolar da ação.

Em primeiro lugar é valido ressaltar que, no Brasil o número de famílias aguardando no banco de dados é doze vezes maior do que a quantidade de crianças e adolescentes que se encontram em abrigos. Todavia, a ”conta” não fecha, pois o perfil solicitado por essas famílias – crianças, meninas, brancas de até 2 anos – não condiz com as características do encontrados em lares comunitários – adolescentes, meninos, não brancos e com irmãos - . Segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção, apenas 34% das famílias aceitam a condição de crianças com irmãos ou com algum tipo de deficiência, evidenciando assim, a inércia na mudança desse descompasso.

Recentemente, foi veiculado nas mídias sociais o caso de um homem solteiro e gay que conseguiu a guarda de um bebê com síndrome de down que já havia sido rejeitado por cinco outros adotantes. Em consoante com esse fato, a burocracia com que esse ato é tramitado, dificulta ainda mais a efetivação dessa operação. Bem como o preconceito, em casos de pessoas solteiras e casais homoafetivos, julgados como menos aptas a suprir as necessidades afetivas e psicológicas desses pequenos cidadãos.

Portanto, enxergar além das características físicas é essencial para que se atinja a nulificação de casos de adoção, afinal não se trata de números e sim de vidas. Dessa maneira, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), deve promover o incentivo à escolha por afinidade, e não somente por perfis físicos. Isso só será possível a partir de palestras com os pais que se encontram na fila de espera, como também a divulgação pelas mídias sociais abordando o impacto positivo que gera na vida dessas crianças e adolescentes ao ganharem um lar. Somente assim, a força propulsora que tira da inércia, mudará o movimento, saindo do caminho do descompasso para o passo certo.