Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 10/10/2019
Desde os primórdios da civilização, a família é o elo mais forte entre os indivíduos, e a adoção tem o papel fundamental de potencializar e até mesmo tornar possível estas mesmas relações entre indivíduos de famílias diferentes. Na sociedade Brasileira, é visto uma clara dificuldade no processo adotivo. Isso ocorre seja pela não adoção conjunta de irmãos, seja pelo preconceito sofrido pelos adotandos.
A priori, o processo adotivo na sociedade brasileira é dificultada pela não adoção dos irmãos, gerando uma grande problemática. De acordo com o Cadastro Nacional de Adoção, quase 66% dos brasileiros dispostos a adotar não querem acolher irmãos. Por conseguinte, essa atitude dificulta ainda mais a aceitação destes no âmbito familiar, pois sua única relação sólida é com seu irmão e sem ele, é muito mais difícil integrar-se em uma família nova. Portanto, agravando ainda mais o processo.
Outrossim, o grande preconceito inato a família brasileira em relação ao acolhimento de outro indivíduo de sangue diferente agrava ainda mais todo o processo. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a sociedade moderna passa pelo processo denominado líquido, causado pela volatilidade das relações sociais e, consequentemente, fragilizando uma possível nova relação fraterna. Causando um problema no ato de aceitação do adotando em sua nova família, atrapalha na verdade todo o processo.
Como visto, tanto a não adoção de irmãos quanto o preconceito envolvido dentro do processo são empecilhos que necessitam de uma intervenção urgente. Mormente, os Orfanatos Brasileiros, por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente, devem estimular e garantir a adoção conjunta de membros da mesma família, regularizando a adoção destes apenas quando forem em conjunto, garantindo a manutenção dessa relação natural. Paralelamente o Estado, por meio de palestras e informativos, deve atenuar esse pensamento negativo que persiste na sociedade brasileira, a fito de agilizar a aceitação da criança adotada na nova família. Seguindo isso, a sociedade brasileira terá maior rigidez entre estas relações.