Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 11/10/2019
Na animação “Meu Malvado Favorito”, Gru, o vilão e protagonista, é solteiro e adota 3 meninas, que são irmãs biológicas. Fora da ficção, a adoção é algo comum e legal no Brasil, apesar do número de crianças abandonadas ser maior que o de acolhidas em novas famílias. Isso ocorre por mães não preparadas para ter filhos e é agravado pelo tipo de criança exigido, que é a minoria nos orfanatos.
A priori, é importante salientar que muitas adolescentes engravidam e doam seus filhos. Na Roma Antiga era normal que famílias pobres abandonassem seus filhos, assim como a adoção era algo comum e ajudou muitas dinastias a existirem. Hodiernamente, jovens que ficam grávidas e não desejam ser mães, ou descobrem que o filho tem alguma doença, decidem doar a criança, o que agrava a conjuntura atual de órfãos, como visto no filme “Juno”.
Outrossim, vale ressaltar que o processo de escolha da criança exclui a grande maioria de órfãos. Primeiramente, o indivíduo deve escolher a cor, idade, se pode ter alguma doença ou irmãos. Dessa forma, é comumente escolhido uma criança branca, do sexo feminino, sem irmãos e sem doenças. Consoante o Conselho Nacional de Justiça, apenas 1 de 10 pais aceitam crianças de até 6 anos com deficiências. Isso mostra a dificuldade da adoção de órfãos que não se enquadram nesse perfil. Um exemplo disso é o caso do Daniel, um menino deficiente que foi rejeito por 90 casais, até ser amparado por um casal homoafetivo.
Diante os fatos mencionados, é indubitável a necessidade de mudanças. Cabe ao Ministério da Educação, juntamente ao Ministério da Saúde, propiciar aulas sobre educação sexual, por meio de profissionais da saúde, a fim de orientar os jovens sobre como evitar a gravidez na adolescência, para assim diminuir casos como o de Juno. Ademais, cabe à mídia divulgar propagandas acerca da realidade de orfanatos, mostrando a diversidade de idade, cor, sexo e deficiência, por meio de anúncios televisivos, a fim de influenciar a adoção de crianças diferentes, como o perfilhamento de Daniel. Somente assim, essa problemática se torna mais simples, como na animação de Gru.