Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 15/10/2019

No filme “Meu malvado favorito”, é retratada a história de três meninas, escolhidas sem restrições de aparência ou idade, que são adotadas por Gru e conseguem facilmente se adaptar ao novo ambiente familiar. Em contraste com a realidade, o processo brasileiro de adoção enfrenta dificuldades como a idealização do perfil da criança, encargos financeiros referentes à criação e a rejeição de crianças que possuem irmãos, fatores que aumentam a diferença entre perfil idealizado e mundo real.

Em primeiro lugar, segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção, existem 8,7 mil crianças e adolescentes aptos a serem adotados e 43,6 mil pretendentes, no entanto, os adotantes geralmente acabam por escolher crianças menores de 5 anos de idade e, consequentemente, os mais velhos na maioria das vezes tendem a aguardar até que completem seus 18 anos e vão para as ruas por não encontrarem uma família. Além disso, a escolha pela criança mais nova faz com que a lista de espera aumente cada vez mais, logo, é gerada a disparidade como os números divulgados pelo CNA.

Ademais, a Constituição Federal, promulgada em 1988, declara como adoção a medida protetiva à criança e ao adolescentes, contudo, no que condiz às restrições, hodiernamente, a busca pelo filho ideal traz inúmeras consequências nos processos de adoção. Assim, de certo modo, há indivíduos que são excluídos dos perfis e, principalmente, aqueles que possuem irmãos costumam ser privados dessa inserção social. Nessa perspectiva, segundo o Conselho Nacional de Justiça, apenas 1% dos adotantes estão dispostos a adotar adolescentes e seus irmãos.

Destarte, é mister que a Secretarias de Assistência Social, em conjuntura com os abrigos locais, promovam políticas públicas de integração, por meio de palestras com profissionais especializados, para fomentar a adoção de outros perfis além dos descritos pelos casais, a fim de colaborar nos outros processos de adoção e ultrapassar barreiras sobre a exclusão de outros perfis.