Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 16/10/2019
A série americana Grey’s Anatomy trás em sua oitava temporada o processo vivenciado pelo casal Meredith e Derek, que se vê incapaz de ter filhos biológicos, em adotar uma criança. Nesse interim, o casal vive um dilema na tentativa de construir uma família. Não distante da ficção, na realidade brasileira, famílias encontram dificuldades no processo de adoção devido ao preconceituoso perfil das crianças desejadas pelas mesmas e a alta burocratização do ato. Portanto, mostra-se a necessidade de medidas concretas para o solucionamento dessa problemática.
Primordialmente, vale destacar os reflexos de uma sociedade anteriormente escravocrata. De fato, essa afirmação relaciona-se com ótica de Maquiavel de que o preconceito tem mais raízes do que princípios. Exemplo disso, é a preferência das famílias brasileiras por um perfil estereotipado que consiste em crianças brancas, de acordo ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) cerca de 67% das crianças não são brancas e cerca de 26% dos futuros pais se recusam a adotá-las. Além disso, há ainda, a preferência por recém-nascidos e a menor aceitação de crianças com a faixa etária elevada, o que gera a superlotação das casas de adoção.
Nessa lógica, destaca-se a lógica da psicóloga Aline Pacheco que diz que adotar é dar luz à esperança. Sob essa perspectiva, segundo dados do Sistema Nacional de Adoção (SNA), há atualmente no Brasil cerca de 12 mil crianças para serem adotadas e 42 mil famílias dispostas a adotar. Por conseguinte, essa conta não fecha devido, além da falta de discernimento das famílias adotantes já que o desejo da maternidade e paternidade não deve associar-se a tons de pele ou raça, ao alto teor burocrático encontrado pelas famílias contemporâneas, como as formadas por casais homossexuais e pais solteiros, em adotar e completarem suas famílias com a chegada de um filho.
Em síntese, medidas devem ser efetivadas a fim de mitigar os impactos causados pelos dilemas da questão adotiva brasileira. Logo, o Poder Judiciário deve aperfeiçoar a lei de adoção, aumentando a rapidez e diminuindo a burocratização do processo, para que famílias contemporâneas tenham mais facilidade em completarem seus lares. Outrossim, o Sistema Nacional de Adoção em parceira com o Ministério da Educação deve promover campanhas no intuito do combate ao preconceito enraizado para que crianças parem de ser escolhidas por critérios preestabelecidos. Só assim, conforme afirmado pela psicóloga Aline, crianças poderão enfim enxergar a luz na sua esperança de terem uma família.