Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 17/10/2019
Em 2019, o casal Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank adotaram mais um filho de origem africana. A notícia contraria as tendências de adoção no âmbito atual, uma vez que 5 mil crianças e adolescentes estão para a adoção, ao passo que aproximadamente 40 mil adotantes aguardam na fila de espera, de acordo com o Cadastro Nacional de Adoção. A realidade, que contraria a relação de afetuosa da ação, demonstra a persistência de uma mentalidade conservadora, causadas pelos processos históricos do país e mantida pelo desamparo educacional sobre a diversidade. Primeiramente, é preciso destacar que mesmo após mais de um século do fim da escravidão ainda há preconceito acerca de etnias no pais. Prova disso, é que muitos adotantes ainda apresentam uma visão racista acerca do adotado. Uma vez que, há uma preferência na adoção de crianças de cor branca.
Isso ocorre, devido a uma educação que não cumpre seu papel transformador. Segundo o pedagogo, Paulo Freire, a educação deve expor injustiças e promover o convívio com as diferenças. Entretanto, temas como racismo e igualdade são tabus na sociedade, de modo que não são trabalhados corretamente. Dessa forma, para garantir a adoção dessas crianças, deve-se investir na desconstrução desses padrões.
Torna-se evidente, portanto que para que adoção possa ocorrer é necessário que medidas sejam tomadas. Nesse aspecto, o Governo Federal em parceria com os Meios Midiáticos devem promover campanhas, por meio de comerciais exibidos em televisão, rádio e principalmente na internet, meio em que as informações mais circulam, sobre a importância da adoção de crianças com perfis rejeitados, de modo que sejam discutidos tabus, demonstrando que a diversidade é essencial, para que a população se conscientize acerca do tema. Dessa forma, pode-se vislumbrar um futuro em que notícias de adoção como a do casal de artistas seja comum.