Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 23/10/2019

A obra “Capitães da Areia”, de Jorge amado, relata a realidade de crianças órfãs da cidade de Salvador, BA, sobretudo a fome e a violência. Analogamente, pode-se comparar essa situação com a de mais de quatro mil crianças a espera de adoção no Brasil, número contrastante com a quantidade de interessados em adotar , chegando a mais de 40 mil pessoas. Problemas como a exigência dos futuros pais unida a burocracia do sistema de adoção, formam um grande impasse na resolução dessa situação.

Inicialmente, vale salientar a discrepância no número de crianças disponíveis para adoção em relação ao de pretendentes. Exigências como cor, idade, não ter irmãos e nenhum problema de saúde faz com que as números não batam. De acordo com o G1, a maioria das crianças tem entre 12 e 18 anos, o que não coincide com as exigências pessoais dos pretendentes. Nesse sentido, esses indivíduos atingem a maioridade sem conquistar uma família, fato que pode prejudicar essas pessoas, pois, devido a ausência de um ambiente familiar, ela podem caminhar para a criminalidade.

Outro fator importante a ser destacado é a cultura burocrática e demorosa do país nos processos de adoção. A lentidão nas etapas, ocasionadas pela falta de profissionais para a agilidade do processo, contribui para o aumento do tempo esperado nas filas. Dados do Ministério Público do Ceará divulgaram que o tempo médio de espera nas filas de adoção é, em média, 19 meses. Consequentemente, muitas desistências ocorrem, e a esperança de uma família para as crianças é quebrada.

Desse modo, conclui-se que é preciso uma atenção maior para a problemática discutida. Para resolvê-la, cabe Ministério Público, juntamente com o Sistema Nacional de Adoção, desenvolver - em shopping, nas ruas e nas redes midiáticas - campanhas com a finalidade de expor a realidade dessas crianças, bem como incentivar o ato de adoção. Além disso, os mesmos órgãos podem atuar, através de psicólogos e assistentes sociais, na orientação dos pretendentes, no sentido quebrar os preconceitos e exigências voltadas a idade e cor, por exemplo. Assim, muitas crianças poderão ter uma família e um futuro garantidos.