Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 24/10/2019
A Constituição Federal de 1988 - ordem de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegura a todos o direito à família e à adoção. No entanto, isso não é o suficiente para que crianças e adolescentes encontrem um lar. Logo, cabe analisar o problema que promove essa situação no país: O preconceito.
Primeiramente, o ato de adoção já foi registrado de vários modos na ficção, por meio de produtos audiovisuais, como os filmes A família do Futuro, Alvin e os Esquilos e Meu Malvado Favorito, a novela Chiquititas, o desenho Madeline e as séries Grey’s Anatomy e Glee. Em cada uma dessas películas se observa a formação de famílias muito diferentes, o que fomenta a diversidade. Apesar disso, a comoção causada por essas películas poucas vezes alcançam brasileiros dispostos a adotar, pois o individualismo, citado na obra Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman, beneficia a questão do preconceito étnico no Brasil e influencia muitas pessoas a buscarem crianças que aos seus olhos sejam perfeitas, ou seja, buscam, na verdade, o ideal europeu: criança branca de olhos claros. Desse modo, muitos infantes perdem a esperança de obter uma família e tem a autoestima prejudicada ao perceberem que a maioria das crianças adotadas, em relação a aparência física, tem algo em comum.
Em segundo plano, val ressaltar a questão do tempo e de irmãos como fatores que agravam a situação. Segundo o Cadastro Nacional de Adoção, há 4.881 crianças disponíveis para adoção e o número de brasileiros dispostos a realizar esse ato é aproximadamente oito vezes maior. No entanto, por muitas crianças possuírem irmãos maiores de 15 anos, essas deixam de ser adotadas, o que pode resultar em ressentimentos na relação fraterna. Além disso, devido a idade, muitas pessoas deixam de conseguir uma família por haver a preferencia, entre os interessados em adotar, por bebês e crianças.
Assim, mais crianças e adolescentes perdem a oportunidade de ter um lar devido a novamente aos conceitos previamente estabelecidos na mente de muitos cidadãos sobre adoção tardia e a questão de adotar apenas um dos irmãos, o que dificulta ambos se desligarem afetivamente e causa culpa nos pais adotivos.
Portanto, com o objetivo de desconstruir o impasse na sociedade brasileira, as mídias de grande impacto, como a Globo,em conjunto com o Estatuto da Criança e do Adolescente, devem influenciar seus telespectadores por meio de propagandas e debates, feitos por figuras carismáticas e influentes, a repudiar as diversas formas de preconceitos presentes no processo de adoção e incentivar a discussão do assunto nas redes sociais, de modo a atingir e sensibilizar um maior público. Dessa maneira, será possível reverter o quadro hodierno da problemática envolta da adoção.