Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 25/10/2019

Conforme consta no poema do modernista Carlos Drummond de Andrade: “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. De maneira análoga, os desafios da adoção, no Brasil, manifesta-se como um empecilho social. Nesse viés, fatores raciais e fraternais auxiliam no crescimento desse panorama, visto que não há uma ação governamental (efetiva) que mude o fato suprarrelatado.

A princípio, é incontestável que a intolerância racial corrobora para as barreiras adotivas. Nesse sentido, de acordo com o G1, apenas 10% das crianças negras são adotadas, no Brasil, isso ocorre, uma vez que os potenciais adotantes, não raro, acolhem crianças brancas e de cabelo liso. Nessa perspectiva, segundo o físico Issac Newton: “Toda ação, gera uma reação”, logo, os índices abaixo do mínimo de adoção de indivíduos negros, são sequelas do preconceito assolado após a escravidão africana.

Ademais, é indubitável que a adoção conjunta coopera para os desafios. Dessa forma, a legislação brasileira prioriza, na maioria dos casos, não desfazer laços fraternais entre irmãos. Entretanto, segundo o G1, cerca de aproximadamente 66% dos acolhedores não se dispõem em “abraçar” mais de uma criança, assim, os centros de cuidado ficam cada vez mais com indivíduos em crescimento, adolescentes, contribuindo para os muros da rejeição social.

Mediante ao exposto, portanto, a retirada do pedregulho faz-se fundamental para o desenvolvimento adotivo. Para isso, urge ao Ministério Nacional (por representar a população), recorrer aos estados com maiores médias de exclusão étnica nos orfanatos, com palestras, anualmente, com as comunidades que anseiam pela adoção, com apoio de profissionais, psicólogos, que criarão mapas mentais com instruções de como lidar com o acolhimento de crianças negras e de irmãos, a fim de mitigar os desafios da problemática. Dessa maneira, a via será liberada pela mudança do curso do país frente ao problema apresentado.