Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 31/10/2019
A obra “Capitães da Areia”, do escritor brasileiro Jorge Amado, retrata as dificuldades enfrentadas por crianças órfãs e abandonadas, na cidade de Salvador. De maneira análoga, no Brasil, observam-se as mesmas dificuldades enfrentadas por mais de quatro mil crianças a espera de adoção, número que contrasta com a quantidade de interessados, chegando a 40 mil pessoas. Problemas como a exigência dos futuros pais, unida a burocracia do sistema de adoção, resultam em um grande impasse na resolução da problemática.
Inicialmente, vale salientar a discrepância no número de crianças disponíveis quando comparado ao de pretendentes. Nesse sentido, exigências como cor, idade e saúde são os principais responsáveis pelo atraso nos processos. De acordo com o portal G1, a maioria das crianças disponíveis para adoção tem entre 12 e 18 anos de idade, o que não condiz com as exigências pessoas dos futuros pais. Por conseguinte, esses indivíduos – ao atingirem a maioridade sem conquistar um lar- podem se tornar potenciais criminosos.
Somado a isso, tem-se a cultura burocrática e demorosa do Brasil nos processos de adoção. A lentidão nas etapas - ocasionada muitas vezes pela falta de profissionais para atender à grande demanda – contribui para o aumento do tempo de espera nas filas. Dados do Ministério Público do Ceará mostraram que o tempo de espera nas filas de adoção é, em média, 19 meses. Consequentemente, ocorrem muitas desistências, e a esperança de uma nova história para a vida dessas crianças é quebrada.
Em síntese, conclui-se que é preciso uma maior atenção para a problemática discutida. Para resolvê-la, cabe ao governo federal, especificamente ao Sistema Nacional de Adoção, promover palestras e programas de aconselhamento, ministradas por psicólogos e assistentes sociais, com o propósito de aconselhar e quebrar possíveis preconceitos e exigências, a fim de tornar o processo mais rápido e aumentar as chances das crianças serem adotadas. Por fim, o Ministério da Justiça deve ampliar o número de funcionários voltados aos procedimentos de adoção, de forma a agilizar o andamento dos processos. Assim, o país tomará um caminho diferente do que é visto no livro de Jorge Amado.