Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 29/02/2020

“Duro é o pão que nós comemos. Dura é a cama que dormimos. Dura é a vida do favelado.” neste trecho do livro Quarto de despejo,Carolina Maria de Jesus descreve o cenário em que vive com seus filhos. Esta realidade se encaixa no perfil social de uma boa parte das famílias responsáveis pelas crianças que por razões distintas chegam até os abrigos e são postas para adoção. Grande parte dessas famílias acaba vivenciando situações relacionadas à pobreza.

A possibilidade de escolher as características desejadas para seu filho,desde físicas até o histórico familiar, leva a uma idealização que está distante da realidade dos indivíduos disponíveis para adoção no Brasil, sendo eles em sua maioria em idades já avançadas, negros e que vem de famílias marginalizadas e com irmãos que por lei tem que ser adotados juntos.

Tem sido esse um dos maiores tabus, que tem resultado em crianças morando em abrigos até atingir a maior idade, e uma fila imensa em busca do perfil desejado para adoção. Todo esse problema vem do preconceito enraizado no brasileiro, de que não é possível reeducar crianças após determinadas idades e vindas de cenários menos privilegiados.