Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 01/03/2020

O ato de adotar uma criança exige responsabilidade e altruísmo por parte do adotante, entretanto, é sabido que ainda existem muitas pessoas na lista de espera para serem pais enquanto muitas crianças precisam dos mesmos. De acordo com o Cadastro Nacional de Adoção, dos 40 mil interessados em adotar, 26 mil buscam jovens sem irmãos. Portanto, pode-se perceber que o desejo de adotar no Brasil é seletivo, e, muitas vezes, excludente, visto que a maioria das crianças para adoção possui irmãos.

Além disso, vale ressaltar que o item citado acima não é o único impasse presente no processo de adoção no país: fatores como etnia, idade e saúde são decisivos para a escolha de um filho adotivo. Inegavelmente, estes parâmetros demonstram a desigualdade social brasileira, que segue separando as pessoas em “castas” como se certas características fossem incapacitantes de alguma forma,  e, por consequência, milhares de crianças permanecem abandonadas.

Por certo, a sociedade tem falhas antigas que já deveriam ter sido consertadas, todavia, os cidadãos não podem ser completamente culpados quando não há ação governamental para a solução do problema. O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH) deveria criar maneiras de barrar a segregação de crianças negras, mais velhas, com irmãos e deficientes daquelas com alta procura. Para isso, é necessário que o engajamento se torne disponível para toda a população.

Em virtude dos argumentos apresentados, faz-se necessária a implementação, por parte do MDH, de palestras ministradas por psicólogos nos lares adotivos para os potenciais pais sobre a questão da igualdade entre as crianças independentemente de suas origens e características. Para tanto, os profissionais devem estar preparados para esclarecer a discrepância existente entre aqueles que esperam por uma família. Com esse ato, é esperado que a sociedade brasileira se desprenda dos preconceitos que a consomem até mesmo na hora de adotar um filho.