Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 29/02/2020
A adoção, consiste no ato de aceitação espontânea de uma pessoa como filho. Como dizia Carlos Drummond de Andrade em seu poema “No meio do caminho”, em que abordava pedras encontradas no caminho, é perceptível também, pedras encontradas no caminho da adoção no Brasil, que podem ser explícitas na incoerência das exigências dos futuros pais à seus respectivos filhos e também com a grande burocracia desse tal processo.
Em primeira análise, podemos destacar que um dos impasses no processo de adoção, é a grande especificidade exigida pelos pais a seus futuros filhos, uma vez que uma das maiores exigências são crianças menores de cinco anos, sem problemas de saúde, sem irmãos e brancas, e isso não condiz com a maior parcela de crianças disponíveis para a adoção. Uma confirmação dessa exigência foi uma pesquisa feita pela Vara Civil da Infância e Juventude da comarca de Belo Horizonte em que os dados estatísticos apontam maiores índices de adoção para crianças de 0-3 anos, do sexo feminino, branca.
Em segunda instância, vale ressaltar que outro grande empecilho que encontramos nesse processo, é a demora na destituição do poder pátrio das famílias, isso implica na existência de um grande numero de crianças vivendo em abrigos a procura de um lar, mas nem todas elas estão aptas para serem adotadas.
Portanto, medidas são necessárias para solucionar esse impasse, é dever do Estado assegurar a convivência familiar de crianças a adolescentes, seja essa biológica ou não, contudo, cabe a esse garantir a eficácia do processo de adoção agilizando o processo de destituição das famílias e proibindo exigências feitas pelos futuros pais em relação ás crianças, uma vez que a prioridade não deve ser o desejo dos pais, mas sim, a concessão de uma família às crianças sem lar. Desse modo, será concebido de forma mais rápida sua inserção em uma família.