Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 20/06/2020
A constituição brasileira de 1988 assegura prioridade absoluta aos direitos fundamentais da criança e do adolescente. De modo análogo, milhares de crianças e adolescentes no país esperam por adoção, que é uma medida de defesa e tem a capacidade de mudar destinos de muitas crianças e jovens que vivem à espera de uma família. No entanto, há impasses que atrasam o processo adotivo no país, como preferências no perfil da criança e o desinteresse em adotar crianças que tem irmãos. Nesse contexto, urgem medidas que facilitem o processo de adoção no Brasil.
Em primeiro plano, vale destacar a escolha do perfil da criança como um agravante impasse na adoção. Nesse viés, de acordo com estatísticas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), 25,63% dos pretendentes admite adotar crianças com quatro anos ou mais, entretanto, apenas 4,1% dos que estão no cadastro do CNJ à espera de uma família têm idade inferior a 4 anos. Com isso, as crianças com idades mais avançadas são deixadas de lado no quesito adotivo. Isso torna maior o número daqueles que não se enquadram nesse perfil ficarem a esperar por adoção, o que torna um processo incerto. No entanto, é importante abortar na sociedade essas predileções quanto a idade das crianças, visto que, existem crianças e adolescentes com o sonho de viver em família que podem ser interrompidos por questões de preferências pessoais.
Outrossim, importa discutir o quanto crianças e adolescentes que tem irmãos sofrem a questão da baixa aceitação adotiva no país. Nesse viés, dados do jornal Estadão, mostram que 67% das pessoas interessadas em adotar querem filhos sem irmãos. Interpreta-se, assim, que, crianças e adolescentes que se encontram nos lares de adoção que tem irmãos, são vistos como barreiras, como se os laços familiares possam interferir na relação com a futura família. Sob essa ótica, vale mencionar as ideias do escritor Leo Buscaglia, o qual afirma “Veja os problemas como pequenos milagres que podem trazer-lhe sabedoria e mudança”. Com base nisso, é necessário transformar a adoção de irmãos tachada de problema em um caminho que pode trazer sabedoria e mudanças para os pais quanto para os filhos.
Diante do exposto, medidas são necessárias para facilitar o processo adotivo no país. Para isso, o Governo Judiciário deve realizar reuniões com os futuros pais para explicar a importância de acolher crianças e adolescentes independente da idade, a fim de facilitar o processo as pessoas e tornar a adoção com alcance maior. Ademais, cabe as ONGs, em parceria com mídias socioeducativas, a divulgação de vídeos nas redes sociais e panfletos nas ruas que abordem a importância das famílias aceitarem crianças e adolescentes sem nenhuma restrição, no intuito de incentivar a adoção como um ato de amor e fraternidade. Sendo assim, poder-se-á melhorar a questão da adoção no Brasil.