Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 30/03/2020

Na série canadense “Anne with an E”, situada em 1908, os irmãos Cuthbert procuram adotar um garoto para ajudar em sua lavoura. No entanto, para sua surpresa, recebem uma menina chamada Anne. Logo de início, a mãe adotiva de considera devolve-la para o orfanato, pois garotas não eram consideradas aptas a realizar trabalhos manuais. Embora Anne conquiste o afeto de seus novos pais, a série demonstra a problemática da idealização de um perfil para adoção, que persiste até hoje. De fato, o principal desafio para a adoção no Brasil está na demanda de crianças com perfis estereotipados, que perpassam os anos, e a discrepância com a realidade dos orfanatos.

Em primeiro lugar, é valido ressaltar que o processo de adoção não trata-se de um problema atual, ele se perdura ao longo da história, por exemplo, na segunda guerra mundial. Nessa época, diversas crianças e adolescentes, que se enquadravam no padrão ariano, tiveram sua adoção imposta, principalmente, por dois motivos: o primeiro, era serem órfãos, decorrente da morte de seus pais na guerra. Já o segundo, tratava-se de um processo de adoção ser considerado o mais adequado pelas autoridade, e os menores eram, forçadamente adotados por outra família, o chamado Lebensborn. Tal realidade intolerável, é exposta no livro “a menina que roubava livros”, de Markus Zusak, nele a mãe de Liesel, a protagonista, teve de envia-la para uma cidade alemã, onde um casal a ampara por dinheiro.

Em segundo lugar, é importante destacar que atualmente, no Brasil, o principal impasse da adoção é a estereotipação dos perfis de crianças buscadas pelos pais pretendentes. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, apesar de haver quase 9.300 crianças registradas no Cadastro Nacional de Adoção (CNA), apenas 11% delas se encaixam nos perfis, frequentemente, estipulados pelos candidatos a pais: terem pele clara e menos que 5 anos. Dessa forma, nota-se a persistência de um preconceito enraizado que é prejudicial, pois dificulta o avanço do processo adotivo. Afinal, é muito difícil findar o preconceito, como diria Einstein é mais fácil desintegrar um átomo que realizar este feito.

Portanto, é míster que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população, a respeito do problema, urge que o Ministério da Cidadania (MC) em parceria com o Conselho Nacional de Justiça crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias  nas redes sociais, que estimulem a população a alterar o padrão de estereotipação. Essas campanhas devem valorizar a escolha das crianças por características que não sejam as físicas, como o estabelecimento de uma relação entre crianças e pretendentes a pais. Somente assim, será possível atenuar o problema histórico da adoção e, ademais, evitar que crianças órfãs enfrentem o preconceito e tenham de supera-lo assim como Anne, filha adotivas dos Cuthbert’s.