Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 09/04/2020
No início da série ‘‘Anne with an E’’ é ilustrado o dilema da adoção de Anne, vivenciado por um casal de idosos, visto que a menina não atendia aos seus pré-requisitos, logo o processo é lento e gradual. Nesse sentido, hodiernamente, não só a busca por um padrão de criança a ser adotada, como também o preconceito social com famílias desprovidas de laços sanguíneos são impasses recorrentes durante a adoção no Brasil.
Primordialmente, existe um perfil generalizado desejado pelos pais, que muitas vezes impossibilita o procedimento. Sob esse viés, é evidente que as famílias tenham preferência por crianças mais novas, uma vez que, querem participar ao máximo de sua criação. Todavia, há cada vez mais, novas exigências, como sexo e cor de pele, um exemplo disso é o casal da série citado acima, que desejava adotar um menino para ajudar nas tarefas da roça, o que reafirma esse perfil padronizado pela sociedade.
Outrossim, segundo a visão do sociólogo Gilberto Freyre, o processo de colonização do país resultou em um modelo patriarcal de família -numerosa e com laços sanguíneos-, que reflete em preconceitos sociais que permanecem até hoje. Nessa perspectiva, a adoção é vista de forma pessimista pelo povo brasileiro, logo as famílias com tal desejo se sentem desestímuladas em seguir adiante no processo.
Portanto, medidas são necessárias para resolver os impasses, como o Estatuto da Criança e do Adolescente, em parceria com o Ministério da Educação deveria promover projetos educativos para a família brasileira. Isso deve ocorrer por intermédio de palestras em escolas, que apresentem o tema e ressaltem a importância de saber acolher todos os tipos de crianças, independente de gênero ou cor, com o intuito de que o número de adoções aumente. Tais palestras também devem abordar o tema de forma naturalizada, a fim de que o modelo patriarcal de família seja rompido aos poucos.