Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 23/04/2020
Na série canadense “Anne With An E” que acontece em 1908 da Netflix, os irmãos Sr. e Sra. Cuthbert procuram adotar um garoto para ajudar em sua lavoura, mas, para sua surpresa, recebem uma menina: Anne. Logo de início, a mãe adotiva considera devolvê-la para o orfanato por garotas não serem consideradas aptas para realizar trabalhos físicos. Embora a jovem conquiste o carinho de seus novos pais, a série demonstra como o problema da idealização de um perfil para adoção persiste até o momento presente. De fato, o principal desafio para esta problemática no Brasil está na demanda por perfis estereotipados e a discrepância da realidade nos orfanatos, gerando impasses neste processo.
De início, é necessário lembrar que o maior interesse para adoção são de crianças de até quatro anos de idade, de acordo com o Cadastro Nacional de Adoção (CNA). Com isso, a idealização de uma criança perfeita torna-se comum para os pais adotivos, fazendo com que muitas das vezes quebrem as expectativas e haja a devolução do jovem para o orfanato. De forma análoga, é possível citar a atriz Giovanna Ewbank e seu marido Bruno Glagliasso, cujo casal adotou duas crianças com seis anos e negros, fazendo com que fossem julgados por serem de raças diferentes. Desse modo, passa a ser evidente a reflexão da sociedade em padrões de esteriótipos, ocasionando dificuldades na adoção.
Ademais, é de consciência social que orfanatos brasileiros não possuem os cuidados necessários para que haja um melhoramento, obtendo no Brasil, 47 mil crianças e adolescentes para adoção, mas apenas 7.300 estão aptos judicialmente para serem adotados, segundo balanço do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) e do Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Acolhidos (CNCA). Devido a isso, a superlotação nesses locais faz com que aconteça um má funcionamento e uma desigualdade neste espaço, acarretando uma irrelevância para a sociedade brasileira.
Em virtude dos fatos apresentados, conclui-se que, a idealização de esteriótipos e a discrepância da realidade nos orfanatos são principais fatores para que ocorra impasses no processo adotivo brasileiro. Com isso, faz- se necessário que os pais interessados em adoção estejam abertos a possuírem uma visão ampla sobre quem adotar, a fim de diminuir a diferença dos padrões fora do comum,e assim, fazendo com que o jovem sinta-se acolhido. Além do mais, cabe ao Poder Executivo firmar mais a lei de nº 12.010/2009, cuja a mesma facilita o processo de adoção no Brasil, por meio de um prazo menor para a criança ser adotada, com o intuito de equilibrar e acelerar a quantidade de jovens à espera de uma família. Desta forma, será possível obter uma menor porcentagem de indivíduos órfãos na sociedade.