Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 27/04/2020

No começo da Idade Média, a intensificação das guerras e a falta de métodos para salvar a vida da mãe durante o parto, fez com que muitas crianças ficassem órfãs, recorrendo a abrigos sem infraestrutura adequada ou vivendo como mendigos, a margem da sociedade da época. Hoje, por mais que o Brasil tenha evoluído em relação a criação de orfanatos e abrigos infantis, ainda há muitas dificuldades enfrentadas pelas crianças e adolescentes que crescem sem uma família, tais como, discriminação, marginalização, problemas psicológicos, depressão e até suicídio. Dessa maneira, surge a problemática ligada a falta de adoção no país, que tem suas causas enraizadas na realidade brasileira, seja pelas altas exigências, seja burocracia estatal.

É importante pontuar, de início, a escolha do perfil da criança como agravante da falta de adoção. De acordo com Albert Einstein, é mais fácil quebrar um núcleo de um átomo do que acabar com um preconceito enraizado. Nesse contexto, em uma sociedade marcada pelo racismo étnico como o Brasil, o processo adotivo se torna excludente, uma vez que, embora haja mais de 5.624 crianças aptas a serem adotadas, conforme dados do Conselho Nacional de Justiça, apenas cerca de 11% dessas são, por se encaixarem no perfil exigido pelos futuros pais: serem brancas e terem até 5 anos de idade, enquanto 89% permanecem nos abrigos por terem mais de 5 anos e serem pretas, pardas e/ou indígenas.

Desta forma, algumas dessas crianças depois dos 12, 13 anos fogem dos abrigos em busca de outro tipo de vida nas ruas. Com isso, para o senador Magno Malta (PR-ES) “A morosidade nos processos de adoção acaba contribuindo para que vidas sejam desperdiçadas”. Assim, cabe ao governo, por meio das mídias sociais, incentivar a adoção, já que uma das grandes conquistas nesse processo é a diversidade da possibilidade de adotantes, evitando assim que essas vidas sejam levadas a marginalização

Sendo assim, é dever do governo facilitar esse processo, não atropelando critérios, todavia, informando e até mesmo em, alguns casos, buscando a ajuda da mídia, que por meio de propagandas e até mesmo novelas podem propagar informações e despertar interesses. Assim, abrindo os olhos da sociedade que, muitas vezes, buscam padrões e não histórias. .