Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 27/04/2020
O filme “De repente uma família”, mostra a trajetória e os preconceitos de um casal no processo de adoção. Inicialmente, a comédia mostra o desejo deles em acolher crianças pequenas e, no fim, acabam por assumir 3 filhos. Sem dúvidas, adotar é um caso humanitário e, dado o envolvimento psicológico de menores com pessoas desconhecidas, torna-se um feito complexo de balancear as necessidades dos pequenos aos interesses e disponibilidades dos adotantes. Desse modo, haja vista a relevância da adoção no Brasil, urge debater a importância do alinhamento paternal à realidade das crianças adotáveis no país.
Mormente, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o número de pais que buscam adotar é superior ao número de crianças e adolescentes à espera da adoção. Em síntese, segundo o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), as expectativas e preferências daqueles que irão apadrinhar distorcem da realidade. Ademais, muitos deles buscam por menores entre 0-4 anos, por exemplo, de cor clara e sem irmãos. Entretanto, o que se encontra nas casas de acolhimento são crianças negras e adolescentes próximos à maioridade. Em decorrência disso, é inevitável que haja uma fila de espera, a qual pode levar anos para casais adotarem e, ao mesmo tempo, contraditoriamente, um número relevante de crianças no aguardo para o apadrinhamento.
Sobre essa ótica, muitos países e pais se tornam adeptos a transnacionalidade. Certamente, em tempos de globalização, é inegável que muitas relações intercontinentais se expandiram e dentro do processo adotivo não foi diferente. Sobretudo, o filme “O que esperar quando você está esperando”, relata a história de um casal que se volta para a adoção na África. Apesar das críticas que o processo adotivo externo possa trazer, as quais são válidas, ainda assim passa a ser uma possível saída e oportunidade aqueles aos quais externamente desejam adota crianças e adolescentes no Brasil sem restrições etárias ou étnicas.
Destarte, faz-se mister reduzir os entraves dentro dos sistemas de adoção no Brasil os quais, atualmente, são excludentes. Portanto, cabe aos órgãos de apadrinhamento, como o CNA, em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a renovação do processo adotivo. Por meio do o uso de fotos no processo de escolha, por exemplo, serão capazes de reduzir estereótipos, quebrar preconceitos e gerar empatia sobre os menores, sobretudo, os adolescente aos possíveis adotantes. Além disso, regulamentar e viabilizar a transnacionalidade na adoção brasileira para proporcionar – apenas para as crianças que desejarem – o acolhimento de diferentes nacionalidades. Desse modo, haverá redução no número daquelas que esperam por um lá no país.