Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 10/05/2020

“No meio do caminho tinha uma pedra; tinha uma pedra no meio do caminho.” O retórico excerto dos versos de Carlos Drummond de Andrade, um dos precursores da escola modernista no país, infere a existência de empecilhos no processo de desenvolvimento do meio. No Brasil Pós-Moderno, analogamente, os impasses eminentes ao processo de adoção se vêm, de fato, atrelados à negligência estatal e à prerrogativa preconceituosa. Diante desse cenário, faz-se necessário o debate acerca desses impasses sociais.

Mormente, ao tomar como norte uma esfera estritamente filosófica acerca da manutenção da ordem social, nota-se antiéticas práticas replicadas na contemporaneidade. Nesse ínterim, compreende-se a ótica de Thomas Hobbes, filósofo absolutista do século XVII, ao inferir que “o homem é o lobo do homem.” Desse modo, o homem é um ser naturalmente mau e egoísta, e por isso deve ser gerido por um órgão governamental, responsável pela manutenção da ordem na sociedade. Todavia, embora retratado sob a perspectiva do absolutista, entende-se a facínora negligência estatal, na modernidade, acerca de políticas públicas que salientem os processos de adoção no país. Nesse sentido, a longa duração,

Outrossim, vale ressaltar a perspectiva sociológica em torno das prerrogativas eminentes ao processo de adoção. Nesse espectro, nota-se a máxima de Albert Einstein, pai da teoria da relatividade, ao entender que seria mais fácil promover a desintegração atômica do que extinguir um preconceito enraizado na sociedade. Sob o viés do renomado físico alemão, compreende-se a manutenção do exequível preconceito acerca da adoção, em vias do aumento da oferta de indivíduos em situação de busca parental. Ademais, o medo relacionado à remota possibilidade de desaprovação aos olhares sociais corrobora a dilatação dos impasses supracitados - seja por meio de ações; seja por meio de julgamentos.

Percebe-se, portanto, que o processo de adoção enfrenta barreiras preocupantes no Brasil. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Família, Mulher e Direitos Humanos, principal órgão responsável por gerir o alinhamento das esferas familiares, promover estratégias que mitiguem tal impasse social. Isso deve ser possibilitado por meio de campanhas públicas, direcionadas por ONGs especializadas, que facilitem os processos burocráticos da adoção e incentivem os cidadãos à cogita-la, a exemplo de campanhas publicitárias que sensibilizem os olhares sociais à tocante causa em debate. O objeto desse feito é tanto inibir as prerrogativas preconceituoso quanto coagir a atenção estatal  ao impasse. Somente assim, as pedras postas pela poesia drummondiana serão extintas do processo de adoção.