Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 07/05/2020

Na série canadense “Anne With An E” situada em 1908, os irmãos Sr. e Sra.Cuthbert procuram adotar um garoto para ajudar em sua lavoura, mas, para sua surpresa, recebem uma menina. Logo de início, a mãe adotiva considera devolvê-la para o orfanato por garotas não serem consideradas aptas para realizar trabalhos físicas. Não distante da ficção, a série demonstra como o problema da idealização de um perfil para adoção persiste até hoje. Assim, cabe a análise acerca de causas, consequências e possível solução da problemática.

Em primeiro plano, um dos principais desafios para adoção no Brasil está na demanda por perfis estereotipados. De acordo com o Cadastro Nacional de Adoção, existem 4.881 crianças cadastradas para adoção no país. Dessas, 3206 (65,68%)tem irmãos. No entanto, entre os 40.306 brasileiros interessados em adotar, 26.556 (65,89%) não querem crianças com irmãos. Tal quadro é preocupante quando atrelado aos algoritmos, visto que, devido ao índice de rejeição por parte dos adotantes, as crianças permanecem em orfanatos por um longo período de tempo, e consequentemente, não conseguem serem adotados, nem criar laços afetivos com sua nova família.

Outrossim, é necessário ressaltar a negligência por parte do sistema. Para o filósofo Zygmunt Bauman, a sociedade atual é marcada pela fragilidade das relações sociais, tendo em vista que o individualismo e a falta de empatia são as principais características da contemporaneidade. Nesse viés, atrelado ao pensamento de tal filósofo, observa-se que, o processo para conclusão da adoção é muito demorado, de tal modo que acaba fragilizando a dignidade humana daqueles que aguardam na fila da adoção.

Portanto, atitudes para a reversão da problemática supracitada são necessárias. Para isso, cabe ao governo criar campanhas através da mídia, para conscientizar a população sobre os esteriótipos formados, assim como, o processo para adoção deve ser menos duradouro. burocrático