Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 23/05/2020

No livro de Jorge Amado, Capitães de Areia, é retratada a maior qualidade de vida que um jovem morador de rua passa a ter após ser abrigado por uma família. Trazendo para realidade, a ação adotiva é um fator determinante para concretização de direitos garantidos aos órfãos brasileiros na Constituição Federal de 1988. Porém, tal ato dificulta-se de se estabelecer devido ao preconceito contra adoção por homossexuais e a procura por um perfil ideal.

Em primeira análise, a discriminação social vigente atrapalha a ação adotiva por casais homoafetivos. Já que, como mostrado na série de comédia dramática,”Desperate Housewives”, o julgamento da sociedade resultou em medo e incerteza aos cônjuges homossexuais em relação a adotar outra criança. Conforme o exemplo, pode-se afirmar que há uma intimidação pelo meio social neste modelo familiar que estimula a decisão e rejeição dos homossexuais em perfilhar.

Além disso, a tamanha exigência dos atributos buscados nos órfãos é outro aspecto alarmante. Visto que, segundo o jornal Correio Braziliense, a maioria das famílias dispostas a adotar deseja filhos sem irmãos e de faixa etária restrita, pois preferem bebês e crianças. Dessa forma, nota-se um preconceito contra adoção de adolescentes e irmãos, o que se traduz em muitos jovens desamparados que não são adotados. Com isso, muitos desses ficam nos orfanatos até tornarem-se adultos e seguirem suas vidas sem laços familiares concretos.

Diante disso, medidas devem ser tomadas para diminuir esses impasses no processo de adoção no Brasil. Desse modo, o Ministério da Cidadania deve promover intervenções sociais a partir de fóruns e campanhas, promovidas por profissionais especializados na mudança da mentalidade da população (como filósofos e sociólogos), que visem combater o preconceito contra a adoção por casais homoafetivos. Ademais, os veículos midiáticos devem estimular os cidadãos a serem menos seletivos na escolha do órfão. Assim, a processo adotivo será mais abrangente e comum, e os jovens terão seus direitos constitucionais à moradia e à convivência familiar validados.