Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 28/05/2020

Na antiga Babilônia, moças, que não conseguissem ter filhos, deveriam deixar seus maridos engravidarem outras mulheres. Hodiernamente, esse tipo de situação não tem mais utilidade, graças ao processo de adoção, porém impasses ainda predominam nesse progresso, como a demora que angustia-se tanto os possíveis pais como o futuro adotado. Para isso, a conivência civil e a negligência do governo corroboram esse cenário estarrecedor.

Primeiramente, o corpo social promove atitudes que inviabilizam a adoção. Trata-se de cidadãos limitados ao desejo, elitista, de crianças brancas, ausentes de problemas de saúde e sem parentes, os quais preferem passar anos em busca do filho do olho azul para satisfazer os amigos preconceituosos. No entanto, tal requisito vai em sentido antagônico à realidade dos rapazes abandonados nos abrigos, sendo estes, em sua maioria, negros ou provedores de laços familiares, como mostra o Cadastro Nacional de Adoção, o qual diz que mais da metade das crianças nos abrigos têm irmãos. Logo, uma população que vê garotos como mercadorias, os distinguindo por suas etnias, é um exemplo da discriminação intrínseca dos tempos coloniais e uma frustração à criança aspirante de uma família.

Ademais, o governo demonstra está em acordo com este caos. Isso porque, não se tem alternativas para atenuar a demora sofrida pelo adotante, falta estímulos para aumentar o apadrinhamento de meninos mais velhos e, ainda, o garoto que não consegue pais, sofre com a ausência de subsídio para compor sua vida após os 18 anos. Com isso, muitos adolescentes optam por fugir dos abrigos, morar na rua, buscar a prostituição e, até mesmo, se envolver no mundo do crime. Segundo o contratualista Jean-Jaques Rousseau, é dever do Governo Central garantir os direitos básicos do indivíduo. Entretanto, isso não se perpetua atualmente, isto é, um Estado que foge de suas obrigações e estimula jovens a destruírem um futuro promissor, ele aniquila o contrato social, aumenta a criminalidade e mostra-se completamente ineficaz no combate aos impasses no processo de adoção.

Destarte, é mister que o Governo Federal e o Cadastro Nacional de Adoção criem alternativas para atenuar os entraves do apadrinhamento, com propagandas, em rádios e televisões, para desintegrar o preconceito em adotar crianças mais velhas ou negras, buscando empatia e respeito, criar subsídios para ajudar no futuro desses meninos e agilizar o processo de adotante, por meio do aumentos de assistentes sociais que auxiliem esse processos. Tal iniciativa deve ainda buscar ajuda de ONGs e escolas  a fim de reintegrar os meninos fugidos dos abrigos, com distribuição de cartilhas e slogans, para as pessoas denunciarem casos de abandono. Dessa forma, dar-se-á o direito de uma vida digna a esses adolescentes e restabelecer o contrato social de Rousseau.